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Wednesday, July 7, 2010

Recuperação da economia parece ter seus dias contados

por Diego Cruz

A crise econômica internacional não terminou. Os últimos meses mostraram uma relativa recuperação, mas ela não é sustentável e novos sinais de queda já começam a aparecer. Não é mais um artigo catastrofista de esquerda prevendo mais um fim do capitalismo. É, antes, a percepção cada vez mais forte do mercado financeiro sobre o futuro da economia.

Isso se reforçou com os últimos indicadores mostrando uma desaceleração no mercado de trabalho nos Estados Unidos, assim como a queda no ritmo da recuperação econômica da Ásia e o aprofundamento da crise na Europa. A recente reunião do G20 e a polêmica colocada: a necessidade de estímulos fiscais versus plano de ajustes, mostram que a crise está longe do fim, chega a um impasse e mostra sinais de recaída para o futuro próximo.

Uma crise estrutural

A crise se expressou inicialmente em 2008 com o estouro do mercado imobiliário subprime, nos EUA, o mercado de financiamento de casas voltado ao público de baixa renda. A implosão desse setor trouxe à tona uma série de complexos mecanismos financeiros, como os tais derivativos, revelando que o período de “exuberância irracional” dos mercados nos últimos anos foi sustentado por um esquema semelhante à fraude da pirâmide.

A falência do centenário banco Lemanh Brothers, no final do mesmo ano levou o pânico desenfreado aos mercados e governos em todo o mundo. Os governos, com a Casa Branca à frente, apressaram-se em aprovar pacotes bilionários de ajuda aos bancos e empresas. Durante todo o ano de 2009, foram trilhões despejados de forma indiscriminada nos mercados financeiros como forma de conter a recessão. A tese da crise restrita à esfera financeira entrava em descrédito na medida em que uma profunda recessão se desenhava no planeta.

Os pacotes articulados pelos governos conseguiram conter a recessão e impedir uma depressão mundial. Mas mostraram-se financeiramente inviáveis, colocando países, principalmente os da Europa, à beira da falência. De tal forma que a fase agora é a da contenção dos gastos. O clamor pelos pacotes de ajuda foi substituído pela necessidade do ajuste fiscal e os cortes de gastos, passando a conta da fatura para os trabalhadores.

Apesar dos impasses entre EUA e Canadá e Europa na mais recente reunião do G20, a orientação para os países é a busca pelo “equilíbrio fiscal”. Ou seja, a política do Imperialismo agora é, sem deixar de lado os pacotes de estímulos, estender o ajuste fiscal que está provocando uma verdadeira rebelião social na Europa para o restante do mundo. Significa explicitar ainda mais a transferência de recursos públicos para os mercados.

Tempo de cortar

O grande problema é que os pacotes estatais de estímulo não foram suficientes para impulsionar o investimento privado. Se se cessam, a recuperação também para. Segundo o Instituto Internacional de Finanças, uma organização que reúne grandes bancos de todo o mundo, as políticas de ajuste fiscal devem reduzir o crescimento econômico dos países desenvolvidos de 2,5% para 1,8% em 2011.

Ao todo, os pacotes serão responsáveis pela redução de 1,25% no crescimento mundial no próximo ano. Isso se refletirá nos chamados “países emergentes”. Segundo o IIF, o Brasil crescerá 7,5% em 2010 e no ano seguinte não deve passar dos 4,4%. Por isso, a instituição dá como terminada a fase de rápida expansão dos emergentes que ocorreu nos últimos meses.

Futuro incerto

Nos Estados Unidos entre maio e junho foram criados 13 mil empregos quando eram esperados pelo menos 50 mil. Em contrapartida, 125 mil postos foram extintos. Já o mercado imobiliário se retrai à medida que o governo extingue sua política de estímulo. Os últimos 12 meses de acelerado crescimento refletiu no país a reposição dos estoques, vazios durante o período mais agudo da crise. O ritmo agora tende a diminuir, e o fim dos estímulos vai aprofundar essa desaceleração num momento em que a economia não consegue andar com as próprias pernas, colocando a perspectiva de uma nova recessão.

Já na Europa, cujo índice de desemprego na zona do Euro chega a 10%, os planos de ajustes vão aprofundar ainda mais a crise social que já explode em países como Grécia e Espanha. A Alemanha, maior economia e motor da União Europeia, detalhou seu plano de cortes nesse dia 5 de junho. O governo de Angela Merkel vai cortar o equivalente a R$ 171 bilhões em quatro anos, em uma série de medidas que inclui a demissão de 15 mil servidores públicos.

Tal cenário fez com que o prêmio Nobel de Economia e colunista do New Iork Times, Paul Krugman previsse uma nova fase recessiva e, mais que isso, uma nova depressão equivalente a 1929. Na verdade, o economista compara a atual crise à “longa depressão” de 1873, um período marcado por fortes instabilidades e recaídas. Para o colunista, essa terceira depressão do capitalismo vai ser o resultado da política econômica recessiva imposta pelos governos, que custará algo como “10 milhões de empregos”.

Krugman vem causando controvérsias com suas previsões consideradas catastrofistas. Os defensores dos planos de ajustes argumentam que o equilíbrio das contas públicas vai automaticamente gerar “confiança” nos mercados e ajudar a impulsionar novamente a economia. A realidade, porém, é que uma nova recessão, ou melhor, uma nova fase da crise está cada vez mais clara no horizonte.

E o Brasil?

Como ficou mais do que claro no final de 2008, o Brasil não é uma ilha. Se o país conseguiu evitar uma longa recessão através de pesados subsídios fiscais a bancos e empresas, ajudou para isso a rápida recuperação da demanda da China por minérios e demais commodities a volta do crédito.

O que está ficando mais certo, porém, é que o país não contará com as mesmas condições externas que tornaram possível o crescimento econômico dos últimos anos, apesar da política neoliberal. A demanda por commodities diminuirá, assim como o crédito e os investimentos diretos que, nos últimos meses, cobriram o déficit em conta corrente (prejuízo do que saiu e entrou no país).

Uma nova crise se desenha para o futuro e o país não terá as condições que o possibilitaram a retomar o crescimento. E também não terá Lula, ou seja, ficará mais difícil conter o movimento de massas na hora de impor planos de ajuste fiscal e reformas.

Diego Cruz, jornalista e especialista em Economia do Trabalho pela Unicamp, colabora com diversos veículos, como o jornal Opinião Socialista

Fonte: site do PSTU

Thursday, August 13, 2009


Contra demissões, operários britânicos ocupam fábrica na Ilha de Wight


Marisa Carvalhoda do site do PSTU
Cerca de 600 trabalhadores da fábrica Vestas, na pequena ilha de Wight, no sul da Inglaterra, ocupam a planta há mais de duas semanas. A Vestas, uma companhia dinamarquesa, é a única produtora de turbinas para energia eólica do Reino Unido. A empresa será fechada e transferida para os Estados Unidos, um mercado muito maior e que já absorvia as turbinas V82 produzidas na ilha.

Até então, a Ilha de Wight foi conhecida em todo o mundo por conta dos festivais realizados nos anos 60. Em 1969, cerca de 150 mil pessoas, grande parte dos EUA, desembarcaram na ilha para ver show do The Who. No ano seguinte, foram 600 mil, para ver Jimi Hendrix, Doors e Miles Davis, além de uma apresentação de Caetano, Gil e Gal.

A perda de 600 empregos na planta de Newport é um desastre de grandes proporções para os habitantes da pequena ilha. E por isso, a reação do grupo que ocupou a fábrica tem despertado tanto apoio e simpatia. Mike Bradley, um dos operários da Vestas, afirmou que os operários que iniciaram a ocupação "mostraram a todos desta ilha que é possível defender os postos de trabalho". Ele afirmou que a ocupação “tem sido um dos maiores privilégios de sua vida”.

O grupo promete lutar, apesar da concessão de uma ordem judicial contra eles no dia 4. Mark Smith, outro trabalhadores ainda na ocupação, disse ao jornal Financial Times na manhã de terça, dia 4: “Pretendemos ficar o máximo que pudermos. Não vou sair por conta própria”. Seu companheiro, Bradley, também é otimista, ao discursar para os demais operários: “Essa é uma luta que pode ser ganha. Se vocês desistirem, vocês vão perder. Se continuarem lutando, podemos vencer”.

Solidariedade
Eles ocuparam a empresa mesmo com a hostilidade da gerência, as ameaças legais e a indiferença do governo. A batalha de um pequeno grupo de operários se transformou em inspiração para trabalhadores do mundo todo que estão enfrentando ataques a seus empregos, salários, condições e aposentadorias.

Mark Smith disse que os operários tiveram grande apoio, de outros trabalhadores, da população local e globalmente, à medida em que as notícias se espalharam.

A comida se tornou um assunto central. Grupos de pessoas frequentemente superam grades ao redor da fábrica para levar pacotes de comida aos trabalhadores, incluindo as entidades de caridade locais. A solidariedade tem sido crucial. Os trabalhadores, suas famílias e apoiadores continuam a campanha incansavelmente dando apoio e mantendo o espírito otimista dos ocupantes.

No sábado, os trabalhadores foram ao alto da fábrica para saudar uma marcha em solidariedade à ocupação. Os manifestantes negociaram com a polícia para deixar entrar pacotes de comida, sanduíches, frutas e sucos. Os apoiadores cantavam “deixe entrar, alimente nossos garotos”. A polícia foi forçada a conceder. Mas as batalhas para conseguir entregar comida continuam sendo diárias.

Nacionalização
A ocupação também tem causado sério impacto e já custou milhões à Vestas, que, além destas demissões, prometeu outros 1.300 cortes, também na Dinamarca. Os trabalhadores deveriam receber suas indenizações na sexta-feira, 31 de julho. Mas os gerentes da Vestas foram forçados a adiar o fechamento e manter os operários, com pagamento integral, por duas semanas extras. Uma vitória jurídica também foi conquistada, depois que os advogados a serviço da empresa admitiram ter dado notícias erradas aos trabalhadores.

O fechamento da fábrica Vestas e a perda de mais de 600 empregos atingiu o governo britânico. Assim como os brasileiros da Embraer, os trabalhadores da Vestas exigem a nacionalização da empresa e a manutenção de todos os empregos.

O governo britânico defendeu fortemente uma “estratégia industrial de baixas emissões de carbono” que segundo ministros atrairia centenas de milhares de empregos verdes ao Reino Unido. Mas essa esperança sofreu um severo golpe e, seguindo o anúncio do fechamento da Vestas, o setor da indústria da energia eólica admitiu que o mercado local do Reino Unido é pequeno para sustentar uma fábrica a longo prazo. Segundo o trabalhador Mike Bradley, “o governo trabalhista deveria estar profundamente envergonhado”.

Leia a carta dos trabalhadores pedindo solidariedade:

“Como trabalhadores de uma fábrica de turbinas eólicas, estávamos confiantes que, à medida que a recessão se estabelecesse, a energia verde ou renovável seria uma área em que muitos empregos poderiam ser criados – não perdidos”. Então, ficamos horrorizados ao descobrir que nossos empregos estavam indo para fora e que mais de 525 postos da ilha de Wight e Southampton seriam adicionados ao já deplorável estado do desemprego na região. Isso causou, e continuará causando, choques de incerteza em incontáveis famílias da ilha – muitas das quais estão sendo forçadas a sair da região. Achamos isso difícil de engolir na medida em que governo diz estar investindo pesadamente nesse tipo de indústria. Apenas na semana passada eles disseram que criariam 400 mil empregos verdes. Como pode esse processo começar com 600 de nós perdendo nossos empregos? Agora não estamos mais certos disso, mas, se o governo pode gastar bilhões salvando os bancos – e até nacionalizando-os – então é claro que pode fazer o mesmo em Vestas. As pessoas de Vestas importam, e as pessoas da ilha importam, mas igualmente importante é o povo deste planeta. Nós não seremos varridos para debaixo do tapete por um governo que diz nos ajudar. Nós ocupamos nossa fábrica e chamamos o governo a intervir e nacionalizá-la. Nós e muitos outros acreditamos ser essencial que nossa fábrica continue aberta para nossas famílias e nosso sustento, mas também para o futuro do planeta. Chamamos Ed Milliband (ministro de energia) a vir à ilha e nos dizer frente a frente porque faz sentido para o governo lançar uma campanha para expandir a energia verde no mesmo momento em que a única grande produtora de turbinas eólicas fecha.”

SOLIDARIEDADE
Mensagens de apoio podem ser enviadas para

Visite o blog da ocupação (em inglês)

Thursday, July 30, 2009

De Robert Saiget (AFP) – há 3 dias

PEQUIM, China — A venda de uma siderúrgica chinesa foi cancelada depois que um executivo foi espancado e morto pelos trabalhadores aos quais acabara de anunciar uma drástica medida de demissões, informaram nesta segunda-feira os jornais locais.

Os funcionários da Tonghua Iron and Steel, com sede na província de Jilin (nordeste), espancaram até a morte na sexta-feira passada um dos diretores da empresa, Chen Guojun, que anunciou a demissão de até 30.000 funcionários, segundo o jornal China Daily.

Cerca de 3.000 operários interromperam a produção e cercaram Chen, recém-nomeado ao cargo, depois do anúncio da compra de sua unidade pelo grupo privado Jianlong.

"Chen decepcionou e provocou os operários aos anunciar que a maioria ficaria desempregada em três dias", indicou o China Daily, citando um policial local.

Depois de espancar o executivo, os empregados ainda enfrentaram a polícia e impediram a ambulância de ter acesso ao ferido.

Chen morreu horas depois de chegar ao hospital.

Um porta-voz do governo provincial de Jilin, contatado pela AFP, confirmou a morte do executivo, mas não quis dar detalhes, afirmando apenas que a polícia abriu uma investigação sobre o assassinato.

Também informou que o governo provincial decidiu interromper a fusão.

A agência oficial Nova China explicou que a venda foi anulada para impedir que a situação se agrave.

Embora os conflitos sociais estejam sendo cada vez mais frequentes na China e com desdobramentos cada vez mais violentos, esta é a primeira vez que milhares de trabalhadores matam um chefe.

"Recentemente ouvi falar em casos de sequestros de executivos, mas não de chefes atingidos até a morte desta forma, que eu saiba esta é a primeira vez", declarou Jean-Philippe Béja, do Centro de Estudos Francês sobre a China contemporânea (CEFC) em Hong Kong.

Em comunicado publicado no fim de semana, o Centro de Informação para os Direitos Humanos e a Democracia, com sede em Hong Kong, afirmou que 30.000 operários participaram no movimento de protesto, e que cerca de cem pessoas foram feridas em enfrentamentos com a polícia antidistúrbios.

"Nunca vi nada igual", declarou à AFP Geoff Crothall, do China Labour Bulletin, em Hong Kong.

"Na maioria dos casos de privatizações, os funcionários temem ser demitidos com indenizações irrisórias, com as quais poderiam viver apenas alguns anos", acrescentou.

Em 15 de junho, na cidade de Dongguan, um operário de uma companhia metalúrgica matou a punhaladas dois executivos taiwaneses e feriu gravemente um terceiro executivo, em um conflito trabalhista, com 200 colegas que nada fizeram.

A China registra a cada ano milhares de "incidentes de massa", dominação oficial dos conflitos sociais, distúrbios, manifestações por supostos casos de corrupção ou abusos por parte de responsáveis locais.

Thursday, July 23, 2009


Amigos e amigas,

A classe operária começa ir à luta em todo o mundo. Para um marxista revolucionário isso tem uma tremenda importância, pois, com os trabalhadores mobilizados e lutando por seus direitos, o resultado do xadrez da crise economica, uma partida travada duramente entre duas principais classes sociais que compõe o mundo moderno, pode ser o não desejado pela burguesia, abrindo fissuras, digamos assim, que coloquem na ordem do dia a questão do poder, ou seja, da tomada do poder pelo proletariado.

Depois das mobilizações radicalizadas na França e, ainda, na Honduras e até mesmo no Irã, os trabalhadores dão mais um exemplo de disposição de luta na Coréia do Sul.

Vejam abaixo mensagem que recebi do meu amigo Jason.

Abraços,

Adriano

=-=-=-=-=-=-


Recebí hoje uma msg de Loren Goldner, camarada dos USA, a respeito da GUERRA dos operários da SSANGYONG MOTORS da Coréia do Sul.

Ia começar a traduzir do inglês para o português, mas o João Bernardo foi mais rápido no gatilho (rs rs rs). Certamente ele, que fez uma belíssima tradução, levou uma vantagem decisiva a partir do fuso horário.

Temos visto a reemergência do movimento operário radical na Europa, na Coréia do Sul. Espero em breve para o Brasil estejamos alcançando esses níveis de luta.

Esta crise cíclica ainda não produziu tudo o que tem para produzir em termos de luta de classes de ponta - do operariado industrial. Vamos ver até onde ela nos levará, o que ela explicitará.

Antes que ela acabe, ela irá mostrar um verdadeiro cinturão operário revolucionário ao redor do mundo:

- áreas industriais dos USA
- áreas industriais da Argentina, Brasil, México
- áreas industriais da África do Sul, Nigéria
- áreas industriais do extremo extremo asiático, Índia, China, Rússia
- áreas industriais européias

O operariado consciente, revolucionário, começa sua caminhada para a auto-consciência (reencontro com a integralidade da teoria-programa de Marx), para a formulação de seu plano revolucionário e sua auto-organização (que culminará na recriação de um partido de classe mundial - a próxima internacional revolucionária dos trabalhadores).

Tudo isso será feito no único lugar em que pode ser feito: na luta.
Esse movimento operário começa, ou recomeça como é o caso para a maioria dos países da periferia reentemente e intensamente industrializada, no bôjo das lutas econômicas, e a partir daí desdobra-se dialeticamente para formas superiores de organização conforme avance o esgotamento desta ordem mundial, através das crises cíclicas industriais, assim como produto do trabalho intenso de politização no seio da classe proletária.

Não pude ainda entrar na INTERNET e amealhar mais elementos sobre a luta (guerra) dos operários SSANGYONG MOTORS da Coréia do Sul.

Farei logo em seguida.

Por falar em movimento operário... neste fim de semana começou publicamente a Campanha Salarial 2009 dos Metalúrgicos do Estado de São Paulo. A do ano passado foi... EXCELENTE! Acompanhem.

Mis besos
Jason.


Thanks, Jason.
It was already translated by Joao Bernardo.
Please distribute as widely as possible.

Abracos

Loren

21 JULHO 2009 - (Coreia do Sul) Últimas notícias da luta na Ssangyong Motors

21 de Julho de 2009
Categoria: Movimentos em Luta

Este é um relato sobre as novidades na greve da Ssangyong Motors, o maior confronto de classe na Coreia do Sul nos últimos anos, enviado por um operário de uma fábrica vizinha.

Ao terminarmos o turno da noite, às 5h.30 da manhã de hoje, fomos para Pyungtaek e concentrámo-nos junto aos portões da Ssangyong Motors, onde os confrontos continuavam, tal como ontem. Entre as 9h e as 10h chegaram muitos autocarros [ônibus] com polícia de choque e chegaram também cerca de 20 carros de bombeiros. Cerca de 2.000 polícias de choque estão a tentar aproximar-se das oficinas de pintura, mas os trabalhadores estão a contra-atacar com uma fisga [estilingue] e por vezes também com cocktails molotov. A fisga é muito grande e são usados parafusos e porcas como munição, mas a uma grande distância (entre 200 e 300 metros) a sua acção não é muito eficaz.

Como uma barricada de pneus está a arder, um fumo negro cobre todo o céu, por cima das fábricas.

A administração da empresa cortou o abastecimento de água e de gás à fábrica e impede que os trabalhadores recebam o quer que seja a partir do exterior, mesmo medicamentos. Talvez a administração esteja a tentar fatigar os trabalhadores, para os levar a sair espontaneamente das oficinas de pintura.

Ao regressar daquele campo de batalha para o meu turno de trabalho desta noite, ouvi dizer que um helicóptero da polícia está a lançar granadas de gás contra os operários que estão a lutar nos telhados.

A central sindical (KCTU) decretou hoje uma greve geral de 22 a 24 de Julho e convocou um grande comício nacional para o sábado, 25 de Julho, em apoio à greve da Ssangyong. Por seu lado, o Sindicato dos Operários Metalúrgicos Coreanos (KMWU), o principal filiado da KCTU, convocou também greves para os dias 22 e 24, em apoio àquela greve e às negociações salariais em curso.

Espera-se que amanhã mais de 5.000 operários sindicalizados acorram junto ao portão principal da Ssangyong Motors e que os combates recomecem.

21 de Julho de 2009

Tuesday, July 21, 2009

Cerca de 360 trabalhadores demitidos da fabricante de autopeças New Fabris, em Chatellerault, na França, fechada em junho, ocuparam ontem a empresa e ameaçaram explodir o local. Eles exigem das montadoras Renault e PSA Peugeot Citroën, principais clientes da New Fabris,
indenização de 30 mil euros (US$ 42 mil) para cada um pela demissão.

O delegado da CGT (Confederação Geral do Trabalho), Guy Eyermann, disse à emissora France Info que botijões de gás ligados entre si serão explodidos se não houver acordo até o próximo dia 31. Segundo os trabalhadores, cilindros ligados com um cordão inflamável foram instalados há cerca de dez dias na parte externa da fábrica. "Se Renault e PSA se recusarem a nos dar a indenização, isso poderá explodir", disse Eyermann.

Os trabalhadores foram demitidos após a liquidação judicial da empresa, que esteve sob o controle do grupo italiano Zen por seis meses. No próximo dia 20, eles devem reunir-se com o ministro da Indústria do país.

Ainda ontem, porém, o risco foi descartado pela assessora do governo local de Chatellerault (305 km a sudoeste de Paris), Anne Frackowiak. Ela afirmou que o diretor da fábrica havia confirmado que os botijões estavam vazios.

As montadoras Renault e PSA Peugeot Citroën disseram que não cabe a elas o pagamento de eventual indenização, e sim aos acionistas e à administração judicial.

O episódio em Chatellerault segue uma série de atos de violência deflagrados na França desde o agravamento da crise global. Neste ano, executivos de empresas como Sony, Caterpillar e Molex foram feitos reféns na França por trabalhadores demitidos em razão da crise.

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Com informações da Folha de São Paulo e agências internacionais

Sunday, July 12, 2009

Valerio Arcary, professor do IF/SP (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia), doutor em história pela USP.

A tendência objetiva da evolução capitalista para tal desenlace (uma crise última) é suficiente para produzir muito antes uma tal agudização social e política das forças opostas que terá de pôr fim ao sistema dominante […] Se, pelo contrário, aceitarmos, como os “especialistas”, que a acumulação capitalista pode ser ilimitada, desmorona para o socialismo o solo granítico da necessidade histórica objetiva. Nós nos perderíamos nas nebulosidades dos sistemas e escolas pré-marxistas, que queriam deduzir o socialismo unicamente da injustiça e perversidade do mundo atual e da decisão revolucionária das classes trabalhadoras. [1]

Rosa Luxemburgo

A crise econômica deu um salto de qualidade em 2008 com a falência do Lehmann Brothers, e a confirmação de que os EUA estavam atravessando a mais será recessão desde os anos trinta do século XX. Todos os indicadores econômicos, do primeiro trimestre de 2009, sobre a retração da atividade industrial, redução do comércio mundial, e resgate estatal emergencial de corporações ameaçadas de falência, como a GM - entre outras - e bancos como o Citi – entre muitos outros - permitem concluir que se trata da recessão mais séria depois do final da Segunda Guerra Mundial. Inserida nas hipóteses de cenários previsíveis, liberais e keynesianos não descartam a possibilidade de uma depressão mundial. Economistas insuspeitos de antipatias pelo capitalismo, como Joseph Stiglitz e Edward Prescott, admitem que a economia norte-americana pode ter pela frente uma década inteira de estagnação, como o Japão nos anos noventa.[2] Os marxistas não podem ser, portanto, acusados de catastrofismo.

Desemprego ou inflação?

O epicentro da crise foi e continua sendo os EUA, mas o contágio global foi fulminante e já atingiu a Europa e o Japão no segundo semestre de 2008. O Brasil não foi poupado, e aqueles que se dedicaram durante meses a defender a tese do descolamento refugiam-se, discretamente, no elogio da redução das taxas de juro pelo Banco Central...

Leia o restande do texto fazendo cópia do mesmo em

http://sites.google.com/site/defesadotrabalhador/arquivo


Thursday, June 4, 2009

Defendemos a estatização da GM

LUIZ CARLOS PRATES “MANCHA”, DA DIREÇÃO NACIONAL DO PSTU, ex-presidente do sindicato dos metalúgicos de s. josé

A GM Brasil está incluída nas negociações que envolvem venda de marcas e reestruturação. Existe uma ofensiva da Fiat e há possibilidade de fusão entre as empresas. Isso levaria inevitavelmente ao fechamento de fábricas, demissões e redução de salários e direitos.

Temos que organizar nesses próximos dias uma campanha de denúncia. Exigir o fim das negociações secretas e que os interesses dos trabalhadores sejam garantidos.

Frente a esta crise da GM, defendemos a estatização da empresa. Os defensores do capitalismo dizem que isso é impossível, que o mundo vai acabar, que o fundamental é o livre mercado. Essa reação agora está cada vez mais desmoralizada, pois os governos imperialistas estão sendo obrigados a nacionalizar várias empresas, incluindo a própria GM por Obama.

Mas esse tipo de nacionalização é oposta à que nós defendemos. Nós queremos a estatização das empresas sem indenização e sob controle dos trabalhadores. Não para salvar a burguesia, mas para romper com ela e colocar a fábrica sob controle dos trabalhadores, sem ataques aos seus direitos e salários.

Porém, dizem os propagandistas do capitalismo, não vai haver capital para investimentos. Isso é uma mentira evidente. As automobilísticas no Brasil não recebem capital de fora. Ao contrário, nos últimos três anos, as montadoras juntas já enviaram cerca de US$ 9 bilhões ao exterior.

E a tecnologia? Seríamos obrigados a produzir carroças, dizem os capitalistas. Tampouco isso é verdade. A tecnologia flex, que permite aos motores utilizarem álcool ou gasolina, é uma invenção nacional.

Aqui no Brasil, a GM dá lucro, tem tecnologia própria, um forte setor de engenharia e carro com motor flex, um dos mais modernos. Não queremos continuar produzindo para enviar dividendos à matriz. É preciso acabar com a sangria. Exigimos do governo Lula a nacionalização da empresa.

Frente aos ataques que estão vindo, é necessária a unidade dos trabalhadores da GM no Brasil. É preciso urgentemente uma reunião de todos os sindicatos e centrais que atuam na GM para discutir uma posição comum frente aos direitos dos trabalhadores ameaçados e traçar um plano de ação e luta para o próximo período, que será decisivo.

Entendemos que podemos a partir do Brasil, pelo papel que tem na organização global da GM, convocar um encontro internacional dos trabalhadores das montadoras. Estendemos esse chamado aos trabalhadores das montadoras, atingidos pela reestruturação, para organizar um plano de lutas comum.

Tuesday, June 2, 2009


O SINDMETALSJC publicou hoje declaração sobre o pedido de concordata da GM Company decretado hoje nos Estados Unidos. Diante da incerteza que a concordata coloca para os trabalhadores da filial brasileira e da “política de reestrturação” da empresa que ataca duramente os direitos dos trabalhadores estadunidenses, o sindicato defende a nacionalização da GM do Brasil.

Leia a declaração no portal do PSTU

Wednesday, March 25, 2009

Maio de 1968,  uma greve geral irrompe na França. Rapidamente adquirindo significado e proporções revolucionários. Alguns filósofos e historiadores afirmaram que essa rebelião foi um dos acontecimento revolucionário mais importante da segunda metadade do século passado, visto que dele participaram não só trabalhadores mas a população em geral.

Março de 2009, trabalhadores franceses, em luta contra a patronal por seus empregos, patronal que tanto lá, como aqui, buscar jorgar na costa da classe operária, os custos da crise econonica do capitalismo, fazem reféns dirigentes das multinacionais. 

Primeiro os da Sony, depois os da 3M.

Em estado de necessidade, não há crime. Não há estado de necessidade maior do que defender a própria sobrevivência. Quando um trabalhador luta por seu emprego, luta por sua sobrevivência. 

Que Março de 2009 francês seja um exemplo para os trabalhadores de todo o mundo, assim como foi o Maio de 68!

Vejam a notícia abaixo:

Adriano Espíndola
=-=-=-=-=-

Mundo: Funcionários mantém diretor de empresa refém na França

O diretor de uma empresa farmacêutica na França está sendo mantido como refém desde a tarde desta terça-feira (24) pelos trabalhadores da empresa, que protestam contra um plano de demissões.

Durante toda a madrugada, grupos de empregados da empresa 3M se revezaram no escritório do diretor para impedi-lo de deixar o local. Este é o segundo caso na França de responsáveis de empresas sendo mantidos como reféns pelos trabalhadores neste mês de março.

No dia 13, o presidente da Sony na França e o diretor de recursos humanos da companhia ficaram presos durante 24 horas na fábrica em Landes, no sudoeste do país, que será fechada neste mês de abril.

Eles foram libertados após aceitarem renegociar o valor das indenizações dos 311 trabalhadores que serão demitidos.

Plano de demissão 

O diretor da 3M que está sendo mantido refém tinha ido à fábrica em Pithiviers, no Vale do Loire, na tarde desta terça-feira (24), para discutir com os trabalhadores o plano que prevê 110 demissões e a transferência de 40 para outra unidade da companhia.

A empresa farmacêutica alega que houve queda na demanda e que a fábrica em Pithiviers, que emprega 235 pessoas, está com excesso de capacidade de produção.

Os trabalhadores, que estão em greve desde o dia 20 de março, querem renegociar os montantes das indenizações e exigem garantias de emprego para os que continuarem na fábrica.

"Estamos decididos a ir até o fim para que nossas reivindicações sejam atendidas", afirma Jean-François Caparros, representante do sindicato Força Operária.

A cada quatro horas, grupos de 20 empregados se revezam na sala do diretor para impedi-lo de deixar o escritório. "Todos estão muito motivados. Essa ação é a nossa única forma de pressão", afirma o sindicalista.

As negociações com a direção, que se estenderam na madrugada, devem ser retomadas nesta manhã. O diretor da 3M, Luc Rousselet, afirmou não ter ficado surpreso com a operação que o mantém retido na fábrica. "A situação dessas pessoas é mais grave do que a minha. Eu sabia que havia um risco ao vir aqui", disse.

Tensão social 

A tensão social é crescente na França em razão dos inúmeros planos de demissões que vem sendo anunciados desde o início do ano. Nesta terça, cerca de mil trabalhadores da filial francesa do fabricante alemão de pneus Continental protestam na frente do Palácio do Eliseu em Paris, sede da Presidência.

A empresa anunciou 1.100 demissões em sua fábrica em Clairoix, ao norte da capital. Nesta manhã, 18 ônibus com trabalhadores deixaram a fábrica em direção à capital. Um conselheiro do presidente francês, Nicolas Sarkozy, se reúne com uma delegação de representantes sindicais da Continental nesta manhã.

Tuesday, January 27, 2009


Abaixo notícia preocupante para Minas Gerais, somos a capital do desemprego.

Isso porque, em resposta à crise, a patronal quer que os trabalhadores paguem a conta desta, demitindo. Esquecem dos altos lucros obtidos nos últimos anos, lucros que deveriam ser usados, uma pequena parte do que foi lucrado, para garantir o emprego dos trabalhadores. 

Equivoca-se o setor do sindicalismo que acredita que reduzindo os salários vai se evitar o desemprego, uma vez que com os salários reduzidos, os trabalhadores compraram menos, acarretando a diminuição das vendas e, por conseguinte, a diminuição da produção, aumentando, assim, em vez de diminuir, o desemprego.

Os trabalhadores precisamos nos mobilizar, exigindo estabilidade no emprego e anulação das dispensas ocorridas. Os patrões que lucraram no último período que devem suportar o peso da crise.

Adriano Espíndola - vejam a notícia abaixo.

BH vira a capital do desemprego

Em dezembro, 21 mil foram demitidos segundo Caged; em termos relativos, corte é maior que em SP e Porto Alegre

Andrea Vialli

A região metropolitana de Belo Horizonte começou o ano de 2009 com um novo e amargo título: capital nacional do desemprego. A Grande BH foi a que mais perdeu empregos em dezembro - foram 21.059 vagas a menos no mês, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados na semana passada. É uma queda de 1,64% em relação a dezembro de 2007. 

Em termos absolutos, a Grande São Paulo perdeu mais postos de trabalho - 63.241 vagas - mas o impacto do desemprego na capital mineira é maior em termos proporcionais, ao se levar em conta o tamanho da população. Na Grande BH, 0,84% da população economicamente ativa (PEA) perdeu o emprego. Na Região Metropolitana de São Paulo, o desemprego foi de 0,64% e na Grande Porto Alegre, de 0,56% da PEA. 

"Belo Horizonte foi a capital que mais contratou ao longo de 2008 e também a que mais rapidamente sentiu os efeitos da crise internacional. Isso levou a um maior número de demissões em dezembro", afirma Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

A queda nas exportações e na demanda interna de setores como mineração, metalurgia e siderurgia - que juntos respondem por 40% do Produto Interno Bruto (PIB) da indústria de Minas Gerais - limou 88.062 vagas de trabalho em todo o Estado em dezembro. 

"O bom desempenho da economia mineira até outubro de 2008 era resultado da demanda aquecida por minério de ferro e aço. Agora, mineradoras e siderúrgicas são justamente as indústrias que mais demitem em Minas Gerais", diz Osmani Teixeira de Abreu, presidente do conselho de Relações do Trabalho da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

Em novembro, o PIB da indústria mineira encolheu 25% em comparação com outubro, segundo o último balanço divulgado pela Fiemg. Nos próximos dias saem os números de dezembro. "Serão piores", diz Abreu.

Com a fartura de crédito até setembro, a indústria automobilística (13% do PIB da indústria) também vinha contribuindo para o aquecimento da economia de Minas Gerais. Agora, para evitar que o nível de emprego caia ainda mais na região de Betim, município da Grande BH que abriga a Fiat e grande parte de seus fornecedores de autopeças, o sindicato dos metalúrgicos já aceitou discutir a flexibilização de contratos de trabalho com 14 empresas.

INCERTEZA

O mecânico-borracheiro Márcio Antônio Quintão, de 40 anos, recebeu uma péssima notícia no dia 31 de dezembro. Após nove meses de trabalho, ele foi dispensado pela empresa Bailac, uma prestadora de serviços da Vale em Itabira, a 104 quilômetros de Belo Horizonte.

Quintão recebia um salário de R$ 927. Agora, o orçamento da família de quatro pessoas se resume ao salário mínimo que a esposa, Valdete de Morais, de 38 anos, recebe como empregada doméstica. "Eu aceitaria até a redução do salário. O que não posso é ficar sem emprego, isso acaba com a gente."

A suspensão e cancelamento de contratos da mineradora com empreiteiras prestadoras de serviço já levaram à demissão de 1.560 funcionários terceirizados somente em Itabira, segundo o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Extração do Ferro e Metais Básicos (Metabase) do município e região. Apenas uma empreiteira, a Sales Gama, demitiu 600 trabalhadores. Além de Quintão, outros 53 empregados foram dispensados pela Bailac após o estouro da crise internacional.

De acordo com o economista Hélio Zylberstajn, pesquisador da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), as empresas que vinham em ritmo acelerado até o terceiro trimestre de 2008 agora terão de se adaptar aos novos tempos, o que significa perda de postos de trabalho. "Essas companhias estavam ajustadas para o crescimento crescente de 2008. Em 2009 isso não vai acontecer."

FONTE:JORNAL O ESTADO DE SÃO PAULO DOMINGO, 25.01.2009

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