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Saturday, September 10, 2011

Esse texto traz comentários de partes importantes do filme, só leia antes de assisti-lo, se não se importar com tal fato.

Adriano Espíndola

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TÍTULO ORIGINAL: Planeta dos Macacos: uma metáfora sobre nós mesmos

Depois de passarem por experimento científico que lhes permite desenvolver inteligência fora do comum, macacos dão início a uma revolução contra a violência e opressão dos humanos


JOÃO PAULO DA SILVA
de Natal (RN), também escreve o blog
As Crônicas do João, clique aqui e conheça

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 CartazEm julho deste ano, pesquisadores da Universidade de Durham, na Inglaterra, flagraram um mandril (macaco da família dos babuínos) no zoológico da cidade de Chester usando uma lasca de madeira para limpar as unhas do pé. A descoberta foi abordada em um estudo publicado no periódico Behavioural Processes e deu novo fôlego à teoria de que macacos menores são mais inteligentes. Os mandris também já foram observados limpando os ouvidos com outras ferramentas mais simples para evitar infecções.

Entretanto, no filme Planeta dos Macacos – A Origem (EUA/2011), nossos “parentes” mais distantes e mais peludos vão muito além do pedicure e do cotonete. Na trama, dirigida pelo até então desconhecido Rupert Wyatt, os macacos passam por uma experiência científica e adquirem uma espantosa inteligência que lhes permite ter consciência sobre a própria condição de dominados.

A partir daí, liderados pelo chimpanzé César, eles dão início a uma espécie de revolução contra a violência e a opressão humanas, com direito a uma assembleia e a uma batalha na Golden Gate. Mais do que um bom filme de ficção científica, Planeta dos Macacos é, antes de qualquer coisa, uma metáfora sobre nós mesmos e nossa sociedade de classes.

Essa nova história se passa antes do primeiro filme, lançado em 1968, no qual o astronauta Taylor, vivido por Charlton Heston, encontra um mundo futurista, onde os símios são a espécie dominante. Neste Planeta dos Macacos, o espectador é levado a descobrir o que aconteceu para que a humanidade fosse dominada pelos macacos.

O cientista Will Rodman (James Franco) trabalha para um grande laboratório e coordena pesquisas que utilizam macacos como cobaias na busca de uma cura para o Alzheimer. O pesquisador, então, desenvolve um soro (o ALZ 112) capaz de restabelecer e aperfeiçoar a atividade dos neurônios. A droga é testada numa fêmea chamada Olhos Brilhantes, que rapidamente apresenta um extraordinário desenvolvimento intelectual.

Mas um acidente envolvendo o animal acaba resultando em sua morte. O executivo do laboratório cancela o projeto e ordena o sacrifício do restante dos macacos. Will descobre, depois, que a fêmea havia deixado um filhote, e o cientista se vê obrigado a levar para casa o sobrevivente.

O macaquinho recebe o nome de César e cresce ao lado do cientista e de sua namorada veterinária (Freida Pinto). Não demora muito e Will percebe a inteligência fora do comum do animal e suas impressionantes capacidades cognitivas, herdadas geneticamente da mãe. A partir daqui, o filme desenvolve o que há de mais importante em seu enredo: a relação do macaco com os homens e o mundo exterior. César é interpretado brilhantemente por Andy Serkis através da tecnologia “performance capture” – que capta movimentos e expressões do ator para depois aplicá-los ao personagem criado por computador.

Os primeiros questionamentos de César ocorrem num simples passeio no parque, quando o macaco e um cachorro se estranham. Por meio da linguagem de sinais, César pergunta a Will se é um animal doméstico, já que também usa uma coleira igual a do cachorro. A resposta ouvida é não, mas isso não o satisfaz. É o primeiro sinal de que César não se sente mais um animal para viver preso.

Entretanto, o macaco só passa a sentir o real peso da violência e opressão humanas quando é levado para um centro de controle de primatas, depois de ferir um vizinho ao tentar proteger o pai de Will. Encarcerado com outros macacos, César sofre maus tratos e todo tipo de humilhações por parte de um funcionário. A terrível experiência faz César compreender sua condição de oprimido e leva-o a organizar uma revolta para libertar seus semelhantes. O longa-metragem não mostra os macacos assumindo o poder, mas deixa uma pista de como acontecerá.

Uma alegoria social
Planeta dos Macacos – A Origem até pode ser visto apenas como um filme de ficção científica, mas não seria justo reduzi-lo dessa forma. Negar a existência na trama de uma alegoria social sobre a luta entre as classes é o mesmo que fechar os olhos para o papel político da história original de Pierre Boulle. Nem o cineasta que assina a recente obra se atreve a fazer isso. “É uma grande história, a de uma revolução como as que acontecem em nossos dias e no nosso mundo, mas que, dessa vez, é liderada por macacos.”, disse numa entrevista o diretor Rupert Wyatt.

A metáfora acerca do domínio de uma classe sobre a outra e as tensões que esta relação gera na sociedade estão presentes fortemente na narrativa, porém, sem torná-la panfletária. E nisso reside o que, de certa maneira, é uma façanha. O longa é uma produção hollywoodiana, com orçamento de US$ 93 milhões e belíssimos efeitos especiais, mas tem enredo de filme de arte.

É impossível ver no cinema a revolta dos macacos contra a opressão dos homens e não associá-la às revoluções que atualmente sacodem o Oriente Médio e parte da África, derrubando ditaduras sanguinárias de décadas. Da mesma forma que o macaco César toma consciência de sua dominação ao sentir na pele a violência do ser humano, os povos da Líbia, Egito, Tunísia e Síria, por exemplo, levantaram-se contra seus próprios opressores após anos de repressão e miséria capitalistas. Aos macacos da história, bastou não se reconhecerem mais como simples animais para se libertarem de suas jaulas e coleiras. Aos trabalhadores e povos oprimidos por governos e patrões, bastou não se reconhecerem mais como escravos.

O filme está repleto de sequências que sugerem desejos de liberdade, consciência de classe e coletivismo. Sentimentos e ações mais necessários do que nunca em nossos dias.

Simbolismo e beleza cinematográfica
O diretor Rupert Wyatt fez um filme em que muitas cenas não precisaram de diálogos para ser entendidas, o que reforçou a demonstração de quão bela pode ser a linguagem cinematográfica. A cena em que César desenha uma janela na parede de seu cativeiro é emblemática. Não é um macaco sentindo falta de casa, e sim um ser oprimido gritando por liberdade.

Há uma simbologia em diversas sequências da trama, sobretudo nas que o protagonista César está presente. São momentos nos quais as imagens e os atos do personagem suscitam poderosas interpretações, que nos levam a relacioná-las com situações do mundo real.

A cena na qual César pronuncia sua primeira palavra é, provavelmente, a mais impactante e simbólica do filme. Agredido várias vezes pelo funcionário do cativeiro, que usava um bastão para dar choques, César decide enfrentar o inimigo. Ao evitar um dos golpes, segurando o pulso de seu agressor, ele solta um estrondoso grito de “não”, bem diante dos olhos assustados do funcionário.

O “não” de César é, na verdade, a tomada de uma decisão. É um basta na violência e opressão sofridas, e o início de uma reviravolta, com uma mensagem bem clara: não aceitarei mais isso. Algo que também pode ser comparado à disposição de homossexuais, negros e mulheres em rejeitar a discriminação a que estão sujeitos só por serem diferentes. A cena não deixa de lembrar, inclusive, um trecho do poema O Operário em Construção, de Vinicius de Moraes, que diz: “Teve seu rosto cuspido / Teve seu braço quebrado / Mas quando foi perguntado / O operário disse: Não!”.

Existem ainda outras cenas sugestivas e emblemáticas, mas duas merecem um bom destaque. Em determinado momento do filme, o cientista Will decide ir até o centro de controle de primatas para resgatar seu macaco. Entretanto, esbarra na negativa de César, que com um olhar e um abano de cabeça expressa sua escolha: não sairá do cativeiro sem seus semelhantes. Uma evidente opção pelo coletivo e uma nobre identificação com sua “classe”.

Por fim, depois de fugirem do cativeiro e darem início ao processo de revolução, liderados por César, os macacos assumem uma postura mais ereta, o que revela outro recado do filme ao espectador. A constatação de que nossos inimigos só nos parecem maiores porque estamos de joelhos.


Semelhanças e diferenças
Os chimpanzés são animais que possuem mais de 98% de identidade genética com os homens, o que só demonstra o quão certo estava o naturalista inglês Charles Darwin e sua teoria do evolucionismo.

Símios e hominídeos evoluíram de um único ancestral em comum, mas pequenos acasos evolutivos nos fizeram incluir a carne, sobretudo assada, nos hábitos alimentares, permitindo que nosso cérebro se desenvolvesse mais do que o dos outros primatas.

Entretanto, o que nos transformou na espécie dominante do planeta e deixou os macacos atrás na escala evolutiva foi nossa capacidade de transformar a natureza em benefício próprio, criando riquezas e realidades antes inexistentes, tanto no mundo quanto em nós mesmos.

Embora alguns cientistas afirmem que a possibilidade do argumento central do filme ocorrer é quase nula, a Academia de Ciências Médicas da Grã-Bretanha pediu, há pouco mais de um mês, que o governo da Inglaterra repense as leis sobre as pesquisas médicas com animais. O medo dos cientistas ingleses é que sejam criados animais com inteligência humana, com condições de desenvolver até a linguagem articulada. Por enquanto, os macacos estão apenas limpando as unhas e os ouvidos com lascas de madeira e não representam nenhuma grande ameaça para a humanidade.

Entretanto, a mensagem de Planeta dos Macacos – A Origem é outra. Assim como nas fábulas, nas quais em geral os personagens são animais falantes, a lição moral do filme também é voltada para os humanos. O recado é simples: povos oprimidos, revoltem-se.

Fonte: Site do PSTU, clique aqui e visite 

Monday, February 15, 2010

 

 

Na postagem Avatazonia, uma ótima análise do companheiro Cândido Neto sobre o filme Avatar, apresentamos uma leitura engajada e militante deste filme, que em minha opinião é um marco do cinema.

Quem ainda não assistiu, aconselho que o faça e no cinema, pois este é daqueles filmes que merecem ser assistidos na telona.

Impossível não comparar um dos momentos mais dramáticos do filme, quando os reais planos dos humanos vêem a tona e os argumentos de uma negociação mediada caem por completo. Os efeitos especiais nesta parte foram muito bem usados e analogicamente lembram Gaza ou Bagdá sendo bombardeadas por Israel ou Estados Unidos, diante da brava resistência.” , dizia Cândido Neto, no texto Avatazonia.


Para alguns, poderia ser um exagero essa nossa leitura, mas na última , sexta feira, 12.02, meu aniversário, os palestinos mostraram que entenderam a mesma coisa, realizando  diversas manifestações, acompanhados por israelenses e ativistas internacionais vestidos como os Navi’s (habitantes do planeta Pandora, no filme Avatar), para protestar contra o estado sionista.

Na manifestação abaixo, realizada em Jerusalém e contra o muro que segrega israelenses e principalmente os palestinos, o exército sionista seguiu o roteiro do filme Avatar: jogou gás contra os manifestantes.

Com informações dos Blogs (visite-os clicando sobre os seus nomes)

Língua Ferina

Blog do Bourdoukan

Blog Molotov

Assista aos vídeos da manifestação:

 

Sunday, January 31, 2010

 

Assisti na primeira semana do ano ao filme Avatar, escrito e dirigido por James Cameron, famoso por películas como “Titanic” e “O Exterminador do Futuro”, ambas com boas metáforas sobre a condição humana, mas que se perdem diante da estratégia comercial dos filmes.

Este ‘pecado’ também está em Avatar. O fato de já ter sido montado como o filme de maior bilheteria de todos os tempos (será que o mundo vai acabar este ano?) foi prejudicial ao enredo. Em vários momentos, cenas carregadas de efeitos especiais parecem demasiadamente excessivas, mesmo para mostrar a exuberância do planeta Pandora, onde os fatos se desenrolam, ou quando a atuação dos atores é visivelmente prejudicada diante de tanto artificialismo.

A película também está em 3D. Esta dicotomia entre história e efeitos especiais parece que se aprofundou em Avatar devido a toda essa estratégia comercial.

Mas, ao contrário de Titanic e do Exterminador, há em Avatar uma história inovadora, talvez por retratar algo não muito novo na trajetória da humanidade. É a história, independente dos efeitos, o melhor do filme.

O planeta Pandora é povoado por povos originários - os Na'vis- e está em processo de colonização por seres humanos. E assim começa o filme. As referências ao planeta Terra no enredo surgem como um recurso natural esgotado. Já os recursos científicos e tecnológicos da humanidade neste tempo histórico são impressionantes.

Lamentavelmente, o ‘futuro’ ainda mantém uma poderosa indústria de guerra, as relações de exploração e opressão e a destruição da natureza como pressuposto ao desenvolvimento econômico. Isso numa análise sóciopolítico é péssimo, já que induz a ideologia de que a humanidade em perspectiva histórica será sempre capitalista, mas para o enredo do filme, esta humanidade predadora é excelente.
Em filmes assim a maldade e a bondade estão muito bem separadas em papéis. Em Avatar é a humanidade capitalista a representação da maldade. A exceção de Distrito 9, não lembro de outro filme com alienígenas onde estes estejam em condição tão antagônica com os humanos e os humanos estão tão explicitados como o mal. Se bem que os alienígenas da história somos nós, e não eles!

A colonização de Pandora se dar com o objetivo de extrair um poderoso e valioso minério – o fictício unobtanium. Pandora também possui uma alta biodiversidade e povos nativos umbilicalmente ligados à natureza, até no sentido literal, e que atacam constantemente a base militar humana. Já no início do filme, este cenário me fez lembrar o processo de expansão capitalista na Amazônia com seus projetos hidrelétricos, a extração de madeira , o agronegócio e as grandes multinacionais mineradoras em conflito com ribeirinhos, indígenas, quilombolas, seringueiros e outros povos chamados tradicionais.

A atmosfera do planeta é tóxica aos humanos que necessitam usar máscaras. O desenvolvimento de um protótipo dos Na’vís – o povo local – através de um programa chamado Avatar superaria este problema e abriria a possibilidade de uma “pacificação” entre os nativos e os humanos alienígenas. A tecnologia permite o controle mental dos protótipos de humanos conectados em máquinas.

Esta estratégia de humanos travestidos de nativos se infiltrando na comunidade local para convencê-la das boas intenções humanas metaforicamente me pareceu técnicos, ongueiros, e extensionistas e sua relação histórica com os povos do campo; os agentes do FMI e do Banco Mundial nos países pobres do globo ou os políticos do PT e da CUT no interior dos movimentos sociais. Buscam uma “pacificação” por meio de alianças/parcerias, mesmo que para isso signifique o extermínio de culturas, tradições e povos. Embutem a ideologia do inevitável/inexorável como pressuposto para evitar a luta social.

Jake Sully (Sam Worthington) – um soldado paraplégico - é um dos humanos a fazer parte do projeto. Sua participação é acidental. A possibilidade de voltar a andar através do protótipo de um Na’vi o faz vê as novas possibilidades do novo mundo. Sigourney Weaver, a melhor do elenco que não é lá essas coisas, é uma espécie de antropóloga-botânica. Entre os humanos é ela que mais conseguiu avançar no contato com os indígenas. Numa expedição, Jake Sully se perde do grupo ao ser atacado por uma fera local e conhece a nativa Neytiri, surgindo daí uma história de amor.

O romance lembra outras históricas já batidas no cinema, mas os conflitos entre espécies, civilizações e mundos tão antagônicos trazem elementos psicológicos muito interessantes, apesar da atuação do ator Sam Worthington deixar a desejar neste aspecto, ou melhor, os efeitos especiais deixaram a desejar, já que 60% do filme é computação gráfica.

Avatar é uma excelente metáfora do presente. Não considerei um filme ecológico como li em algum lugar e sim um filme sobre os destinos da humanidade onde a natureza é colocada como um dos elementos desta questão. Mas há ainda outros lados muito bem tratados como a possibilidade da humanidade se vê como o estranho, a inexistência de neutralidade nas lutas sociais, a inexistência de superioridade cultural e como é possível aprender com as diferenças. Mesmo quando erra como na batida fórmula do herói branco do norte capaz de coisas pra lá de espetaculares, Avatar trás reflexões.

Impossível não comparar um dos momentos mais dramáticos do filme, quando os reais planos dos humanos vêem a tona e os argumentos de uma negociação mediada caem por completo. Os efeitos especiais nesta parte foram muito bem usados e analogicamente lembram Gaza ou Bagdá sendo bombardeadas por Israel ou Estados Unidos, diante da brava resistência. Também é impossível não pensar no choque dos grandes projetos na Amazônia que quase dizimaram os paranás no norte do Mato Grosso quando da abertura da BR-163 e os gavião durante a construção da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará.

Bom para lembrar ainda que assim como os Na’vís, hoje há uma brava resistência de comunidades na Gleba Nova Olinda e na Resex Renascer contra e extração de madeira e de indígenas e ribeirinhos do Xingu contra a hidrelétrica de Belo Monte, todos exemplos aqui no Pará mas que podem ser ilustrados mundo a fora. Porém, há ainda muitos humanos travestidos de Na’vis, lobos em pele de cordeiro, levando grupos inteiros à completa derrota e perda de sua identidade cultura e material.

Estas possibilidades de reflexão salvam Avatar e tornam o filme bom para ser assistido e debatido.

Cândido Neto da Cunha, 21 de janeiro de 2009, do blog Lingua ferina, clique aqui para acessá-lo .

Postado por Cândido Cunha às 21.1.10

Língua Ferina: Avatarzônia

Thursday, December 10, 2009

Superprodução une governo, empresários e centrais sindicais

DIEGO CRUZ, da redação do Opinião Socialista do PSTU

No primeiro dia de 2010, as salas de cinemas serão invadidas por uma superprodução que ambiciona ser um marco no número de espectadores da sétima arte no país, superando o recorde atual, o filme Dona Flor e seus Dois Maridos, visto por 12 milhões de pessoas em 1979.

Lula, o Filho do Brasil, foi orçado inicialmente em nada menos que R$ 18 milhões. Os produtores, a fim de evitar polêmica, se abstiveram de procurar subsídios ou isenções fiscais. Nem precisaram, já que todos os custos foram bancados por grandes empresas e empreiteiras. O que não impediu a acusação de que se trata, na verdade, de uma espécie de propaganda eleitoral, já que todos sabem que 2010 será marcado pela disputa da sucessão presidencial.

O que estaria por trás do épico que promete revelar a vida de Lula? Seria de fato uma forma de beneficiar a candidata eleita pelo presidente para substituí-lo nos próximos quatro anos ou, como juram seus realizadores, apenas um filme sem qualquer pretensão política?

Leia o restante da matéria acessando o site do PSTU, clique aqui

Sunday, November 22, 2009

Diego Cruz da redação

Muitos se surpreenderam ao saber que o novo filme do cineasta britânico Ken Loach se tratava de uma comédia. Á procura de Eric (Looking for Eric), porém, apesar do gênero, nada deve à filmografia de Loach, conhecido por seu cinema engajado e por explorar uma temática sempre ligada à classe operária. Fazem parte dessa lavra, por exemplo, filmes como Pão e Rosas, Meu nome é Joe e talvez seu filme de maior sucesso, o épico Terra e Liberdade, sobre a guerra civil espanhola.


No novo filme de Loach, em cartaz desde o dia 13 de novembro no Brasil após passar pela Mostra Internacional de cinema em São Paulo, temos a história do carteiro Eric Bishop (Steve Evets), homem de meia idade em constante crise e que, como seus companheiros, encontra no futebol sua principal válvula de escape. Após sofrer um acidente de carro e começar a fumar maconha para aliviar a tensão, Eric começa a receber a “visita” do ex-jogador francês Eric Cantona, seu ídolo, numa espécie de alucinação.

clique aqui e leia no site do PSTU o restante da matéria

Monday, October 19, 2009

Herbert de Perto_01

A vida não é um filme e você não entendeu”… Mas ela pode estar num filme de forma que todos possamos entender.

Herbert de Perto” é um documentário que traz Herbert e seus sucessos paralâmicos para muito perto. Da musicalmente criticada década de 80 o filme foca o que ela teve de melhor.

Se você é fã de cinema ou dos Paralamas, ou se como eu é fã dos dois, leia o resto do artigo e assista um clipe do filme, clicando abaixo:

clique aqui e acesse o restante do artigo no blog Cinema é a minha praia!

Adriano Espíndola

Saturday, July 11, 2009

V de Vingança:

“Você pode matar um homem, mas não um ideal”


Para os tempos de hoje, em que falar em terrorismo é quase um crime, um filme cujo o personagem principal é um terrorista herói é algo bastante instigante.

V, o codinome deste personagem principal, se enfrenta com um governo totalitário que oprime a todos, em uma Inglaterra do ano de 2020. Eleito como efeito colateral do medo da população de atentados praticados contra civis, tal governo suprime totalmente a liberdade, em nome da segurança nacional.

A remissão aos atentados de 11 de setembro de 2001 e à resposta norte-americana com a Guerra ao terror (que, ainda hoje, continua sob OBAMA, vide Afeganistão) é inevitável, sendo, em minha opinião, o principal ingrediente do filme.

Mas V não um super-herói como os tradicionais. Não tem vida dupla, é sempre o V, um sujeito que não é puritano como os heróis da Marvel, pois além do combate à tirania é também movido por sua sede sanguinária de vingança sobre aqueles que oprimiram no passado.

Lado outro, o que mais me agrada em V, o que também o diferencia dos terroristas tradicionais, é que ele defende a necessidade (e não é somente um detalhe) da ação das massas para as transformações sociais. V explode prédios, mas também incitar o povo a se rebelar contra o governo tirano.

Entretanto, afinal seria muito esperar isso de um filme americano, V se volta apenas contra a opressão causada pela falta de liberdade numa sociedade totalitária, silenciando-se, inclusive, em face à fome, desigualdade social, miséria e desemprego desta mesma sociedade.

Desta forma, os atentados de V se diferenciam, por exemplo, dos atentados do 11 de setembro de 2001, nos quais, mesmo acertando um importante símbolo do imperialismo, a morte de milhares de pessoas, entre elas muitos imigrantes, não se buscou nenhuma mobilização dos trabalhadores, o que deu mais fôlego a Bush e Blair em sua opressão contra as massas de todo o mundo.

Além da perfeita adaptação para o cinema (V de Vingança é uma história em quadrinhos), o destaque fica para a atuação de Hugo Weaving, o agente Smth da Trilogia Matrix e o Elfo Elrond de O Senhor dos Anéis, pois mesmo com o rosto coberto durante todo o filme por uma mascará estática de Guy Fawkes (um soldado inglês, católico, que, num ato contra o governo protestante da época, pretendia destruir o prédio do Parlamento britânico em 1605), conseguiu fazer um personagem cativante.

Aqueles que ainda não o assistiram, corram à locadora, pois V de Vingança é um filme que vale à pena ser visto.

Adriano Espíndola Cavalheiro, advogado, poeta, militante político (PSTU) e agora, crítico de cinema!

FICHA TÉCNICA:
V de Vingança Alemanha/EUA, 2006 – 132 min
Ação/Drama
Direção: James McTeigue
Roteiro: Andy Wachowski, Larry Wachowski
Elenco: Hugo Weaving, John Hurt, Natalie Portman, Tim Pigott-Smith, Stephen Fry, Stephen Rea, Rupert Graves, Sinéad Cusack

Sunday, June 21, 2009



Amigos,

Há um ótimo documentário sobre a Simonal na praça.


O filme, dirigido por Cláudio Manoel, do Casseta e Planeta (isso mesmo, ainda que sério, o filme é de um casseta!) é imperdível e resgata a figura deste grande cantor, cujo a imagem e memória restaram abalada por supostamente ser Simonal um caguete da ditadura.


Abaixo publico extrato de duas ótimas criticas, uma de Wilson H. Silva, publicado originalmente no site do PSTU, e ou de Rozi Brasil, pubicado no ótimo Blog Cinema é Minha (nossa) Praia


Adriano Espíndola


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1. Artigo de Wilson H. Silva


Simonal: quando a arte e alienação colidem

Wilson H. Silva
da redação do Opinião Socialista
e membro da Secretaria Nacional de Negros e Negras dos PSTU


Em primeiro lugar, é preciso dizer que “Simonal: ninguém sabe o duro que dei”, documentário dirigido por Cláudio Manoel, do grupo Casseta & Planeta, Micael Langer e Calvito Leal, é imperdível. Não só por suas qualidades artísticas, mas também pelo seu tema.

Quem ver o filme poderá entender por que Wilson Simonal (1938 – 2000), negro e filho de uma empregada doméstica, transformou-se, sem dúvida alguma, em um dos mais importantes cantores de nosso país.
Aliás, mais do que um intérprete e compositor, Simonal foi um “showman”, capaz, como poucos, de cativar e empolgar o público com seu repertório ousado, onde samba, rock, música pop e influências diversas da música negra se encontravam e se renovavam. Uma figura marcante, capaz de levar mais de 30 mil pessoas ao delírio num histórico show realizado no Maracanazinho, ou de manter espectadores grudados na tela, nas suas muitas aparições na televisão, durante os anos 1960.

Um personagem tão influente que, diga-se de passagem, inspirou o nome de toda uma geração de jovens negros que nasceram naquela década.Tudo isso está num filme primorosamente dirigido, recheado com depoimentos e imagens de época. E que, acima de tudo, não deixou de colocar o dedo numa das feridas ainda abertas dos tempos da ditadura: o envolvimento de Simonal com o famigerado Departamento de Ordem Social e Política (Dops), cuja repercussão fez com que o cantor “caísse em desgraça” no cenário musical brasileiro...


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2. Artigo de Rozi Brasil:

Simonal – Ninguém Sabe o Duro Que Dei

Falar sobre o que todos já falaram se não inclui exclusividade é imprescindível emoção. Não há como não se emocionar com o Sr.Casseta que fala sério sobre um tema seriíssimo, sobre uma pessoa que não foi levada a sério e que bem pode comprovar a frase de Pablo Neruda “A verdade é que não há verdade”.

Sabemos nós que toda história tem dois lados, mas esta parece que desde sempre só teve um. O documentário bem feito, sem narrador e com edição cheia de “bossa” tem uns pecadinhos na fotografia em alguns enquadramentos nos rostos dos entrevistados, que até pareceram propositais a fim de privilegiarem a emoção em detrimento da técnica. Com entrevistados ilustres (fiquei surpresa ao ver a crítica teatral, Bárbara Heliodora por lá) mostra que Claudio Manoel escolheu um lado, um daqueles dois únicos lados que Ziraldo diz no seu depoimento que havia na época, dois lados e um punhado de fatos obscuros e sublinhados por comportamentos grifados pela intolerância tanto de um lado quanto de outro.

Talvez naquele tempo, debaixo da nuvem de chumbo, não existisse o excesso de representantes dos Direitos Humanos que vemos em ação hoje em dia. Mas parece que nenhum representante dos DHs, ainda que nascido posteriormente tivesse interesse em apurar e retirar do limbo o grande cantor. Foram tantos os pedidos de desculpas, desagravos e indenizações póstumos, que a mim causa estranheza a permanência do silêncio tempo a fora...


Tuesday, May 5, 2009

Amigos e amigas,


Na semana em que se convencionou comemorar o dia das mães, o da minha é todo dia, faço pela primeira vez neste espaço a indicação de um filme.

Mas não é um filme qualquer, mas sim um de Almodóvar, um dos melhores em minha humlide opinião: Tudo sobre minha mãe.

A postagem abaixo tirei do ótimo blog CINEMA É MINHA PRAIA, que consta da lista dos blogs que acompanho e indico.

E como diria Cazuza: Só as mães são felizes!

Sejam felizes com suas mães e as façam felizes.

Adriano Espíndola

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Tudo Sobre Minha Mãe - Todo sobre Mi Madre

Direção: Pedro Almodóvar

Gênero: Drama, Existencialismo

Espanha - 1999

Esse é o filme que mais gosto de Almodóvar! Homenagem que ele fez para a sua mãe que tomo emprestado para dizer que minha mãe é muito parecida com a “dele”, até mesmo na fisionomia. Mulher guerreira, batalhadora, amorosa, determinada…

Para ser mãe é preciso que haja um(a) filho(a), isso é óbvio. O que acho mais bonito de perceber nessa obra é esse paradoxo:

- Tudo sobre a minha mãe OU Tudo sobre meu filho?

Como se dizer mãe sem que a cria tenha sido dita?

Almodóvar é brilhante nesse contexto, e foi de uma sensibilidade ímpar nesse filme.

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Por uma tragédia do destino, Esteban morre. Mas quantos filhos na verdade Manuela tem? Com a personalidade visivelmente materna, cuida de todos que ela quer bem.

Num dualismo providencial, o filme mostra o paradoxo de dois “tipos” de mãe: Rosa (mãe de Rosa) e Manuela. Uma é omissa e eternamente filha, não dá conta de ser mãe; a outra, é mãe até as mães…

Almodóvar explorou bem, também, até o aspecto feminino dos homens, apimentando o filme com o travestismo. Suscita uma máxima Freudiana que Simone de Bouvair fez questão de se apropriar: “Não nasce mulher, torna-se mulher”;   Agrado “que torna a vida das pessoas agradáveis” disse algo que ressalto aqui:

Sai muito caro ser autêntica. E, nessas coisas, não se deve ser avarenta. Porque nós ficamos mais autênticas quanto mais nós nos parecemos com que sonhamos com que somos.

tudo-sobre-minha-mae09

E assim é o filme da vida de muitas mães e muitos filhos.

Por: Deusa Circe.

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