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Wednesday, July 13, 2011
Abaixo um texto do amigo Celso Lungaretti, sobre o dia do Rock, meu ritimo musical predileto!
Adriano
HOJE É DIA DE ROCK
Assim como o Messi, eu também precisava do carinho do meu povo ao sair das prisões militares, quase destruído aos 20 anos de idade.
E o que encontrei, no Brasil do milagre, foi uma comunidade alternativa, para a qual me convidou um antigo companheiro de movimento estudantil.
Foi onde me reencontrei com a vida e com as alegrias singelas da juventude, depois de tão prematuro convívio com a morte.
E descobri o rock, que todos os descontentes curtiam porque era a antítese da ordem unida instaurada pelos golpistas de 1964.
No início, de tão traumatizado, só consegui me identificar com o rock macabro de Alice Cooper, Black Sabbath, Uriah Heep. Eu me sentia como se estivesse nas catacumbas, ao lado dos primeiros cristãos.
Com o tempo, fui superando os traumas e também sofisticando meu gosto e aprendendo mais sobre o ritmo cuja carga de revolta visceral tanto me atraíra.
E fiquei conhecendo sua história, desde as plantações de algodão em que negros tinham o blues como praticamente única válvula de escape, passando pela nova forma de escravidão que foram as indústrias automobilísticas, até chegar na explosão do rhyth'm blues e no amálgama com o country and western. O blues teve um filho e o batizaram de rock'n roll, cantou o grande Muddy Waters. Perfeito.
Quando me tornei crítico de música, no final da década de 1970, o rock do underground praticamente definhava, substituído pela espetacularização e a artificialidade pop. A indústria cultural retomava o controle sobre sua criatura que, como o monstro de Frankenstein, por uns tempos escapara de suas garras calculistas.
Até hoje curto esse rock do mito, do grito, da revolta e do improviso, que existiu/resistiu brevemente e logo foi reassimilado pelo sistema.
E que foi expresso maravilhosamente por Neil Young em My, my, hey, hey, cujos versos faço questão de reproduzir neste Dia Mundial do Rock, pois expressam a melhor postura do melhor rock que o mundo conheceu:
"My my, hey Hey
Hey Hey, My My
O rock'n roll nunca morrerá
Há mais que no quadro
Do que os olhos podem ver
Hey hey, my my
Saindo do azul, entrando nas trevas
Eles te dão isso, mas você paga por aquilo
E uma vez que tenha ido, você não pode voltar
Quando está saindo do azul e entrando nas trevas
O rei se foi, mas ele não é esquecido
Esta é a história de Johnny Rotten
É melhor consumir-se em chamas do que definhar aos poucos
O rei se foi, mas ele não será esquecido
My my, hey hey
o rock'n roll está aqui pra ficar
Hey hey, my my
o rock'n Roll nunca morrerá"
Fonte: Email enviado por Celso, com autorização de reprodução.
Labels: cultura
Saturday, August 7, 2010
SAUDOSO MALANDRO
por WILSON H. SILVA
da redação do Opinião Socialista e membro da Secretaria Nacional de Negros e Negras dos PSTU
Há 100 anos, nascia Adoniran Barbosa, um dos músicos mais geniais e irreverentes da MPB, em Valinhos (SP), em 1910, com o nome de João Rubinato, este filho de imigrantes italianos talvez tenha sido um dos que mais profundamente incorporou as contradições e o “espírito” da capital paulista que, entre os anos 1930 e 60, transformou-se no centro industrial e financeiro do país no mesmo ritmo em que suas “malocas” eram derrubadas e seu povo empurrado para os arredores das estações da ferrovia.
Um compositor que, como poucos, soube mergulhar no sofrido cotidiano do povo, em seus amores muitas vezes destrambelhados e nas muitas facetas da sociedade brasileira.
Crônicas com sotaque popular
Com cerca de 12 anos, Adoniran abandonou a escola e passou a percorrer as ruas da Grande São Paulo como entregador de marmitas. Anos depois, já na capital, fez um pouco de tudo. Foi vendedor, pedreiro, garagista, mascate, encanador, garçom e metalúrgico.
Foi vagando pela cidade e no contato direto com suas camadas mais populares, que Adoniran compôs sambas embriagados pelo linguajar das ruas e de seus muitos migrantes e imigrantes. Nesse sentido, o fato do bairro do Bexiga estar no centro de sua obra não é mero acaso. Afinal, no decorrer do século, suas ruas e vielas abrigaram sucessivamente ex-escravos negros, migrantes italianos pobres e, finalmente, um agitado centro da boemia paulistana.
Sua carreira teve início em 1934, depois de vencer um concurso de marchinhas. O sucesso lhe rendeu um convite para trabalhar como ator cômico, locutor e discotecário na Rádio Record, onde Adoniran criou personagens tão antológicos, críticos e populares quanto os de suas músicas, como Charutinho que, direto do fictício Morro do Piolho, espinafrava a elite, os preconceitos e os costumes da época.
O sucesso chegou em 1955, com a gravação de dois de seus “clássicos”: “Saudosa maloca” e “Samba do Arnesto”. E, mesmo assim, foi passageiro, fazendo com que Adoniran só voltasse a estourar de novo dez anos depois, quando – numa evidente demonstração de sua “universalidade” – a paulistaníssima “Trem das Onze” venceu um concurso de músicas carnavalescas em plena “capital do samba”, o Rio de Janeiro, tornando-se a música mais tocada no Carnaval de 1964. Na ocasião, a música foi interpretada pelos “Demônios da Garoa”, grupo desde sempre identificado com a obra do compositor.
Sua obra foi marcada por um caminho bastante diferente da maioria dos sambistas, de sua época. Enquanto na década de 50, a maioria dos sambistas – seduzida pelo mercado radiofônico e pelo discurso desenvolvimentista dos “Anos J.K.” – embalava os ritmos populares em letras recheadas de exaltações ao modo de vida e aos valores burgueses, Adoniran caminhava no sentido oposto.
Seus personagens e “heróis” são os desabrigados, os trabalhadores informais, os negros e, também, as mulheres que, apesar de marcadas pelo machismo, vez ou outra conseguem romper com a opressão, como são os casos da “Malvina” e da “Gerarda”, que abandonam seus chorosos maridos, ou da “Carolina”, que sai da favela para se tornar escritora.
São, enfim, os “desajustados”, que vagam solitários em meio à crescente multidão que ocupa uma cidade cuja elite quer transformar em símbolo do “progresso”, do trabalho e da ascensão social. Um projeto obviamente pensado a partir da marginalização de um povo jogado à sua própria sorte.
Malandragem “à paulista”
Em “Güenta mão, João”, por exemplo, Adoniran se remete ao sempre trágico problema das enchentes (“Não reclama / porque o temporal / destruiu teu barracão. / Não reclama, / güenta a mão, João. (...) Não reclama,/ pois a chuva só levou a tua cama”). Já em “Conselho de mulher”, os alvos são o discurso patronal e desenvolvimentista (“Progréssio, progréssio / Eu sempre escuitei fala / Que o progréssio vem do trabaio / Então amanhã cedo nois vai trabaia”). E, em “Luz da Light” a ironia se volta contra os apagões na periferia e nos morros.
Uma das carac terís ticas mais marcantes de Adoniran é o uso da fala das ruas, que revestida com sarcasmo e ironia, inverte valores e desmonta a “seriedade” do discurso dominante, inclusive do ponto de vista gramatical. Adoniran levava para suas músicas a rica fala que brotou do encontro de negros e imigrantes. Como ele próprio dizia: “O que eu escrevo está lá direitinho no Bexiga. Lá é engraçado... o crioulo e o italiano falam igualzinho”.
Esse passeio pelas bordas da sociedade contaminou até mesmo seu universo “romântico”. “Iracema” (1956), por exemplo, vítima da urbanização da cidade, parte para “juntinho de nosso sinhô”, depois de ser atropelada na Av. São João, deixando para trás apenas suas meias e sapatos. Fato, diga-se de passagem, inspirado numa notícia de jornal.
Contudo, foi em “Tiro ao Álvaro” (1960) que Adoniran promoveu um dos encontros mais belos entre as coisas do coração e as conturbações da realidade. Afinal, foram poucos o que conseguiram traduzir os descaminhos do amor de forma, ao mesmo tempo, tão “mundana” e poética como nos seus versos: “Teu olhar mata mais do que bala de carabina / Que veneno e striquinina / que peixeira de baiano / Teu olhar mata mais do que atropelamento de automóvel / Mata mais que bala de revórver”.
Viveu e morreu entre os seus
Uma faceta pouco conhecida de Adoniran foram suas passagens pela TV e pelo cinema, onde foi para lá de eclético. Fez chanchadas, como “Pif-Paf” (1945); teve uma participação de destaque em “O cangaceiro” (1953), um dos maiores sucessos do cinema brasileiro. Na televisão, participou de novelas como “Mulheres de Areia” e “Ovelha Negra”.
Esse “ecletismo” também se manifestou em sua obra musical, da qual consta, por exemplo, o belíssimo samba-canção “Bom dia, tristeza”, em parceria com Vinícius de Morais e gravado por Aracy de Almeida.
Apesar de ter conhecido o sucesso pouco antes de sua morte, Adoniran nunca foi totalmente digerido pelos meios de comunicação, tendo gravado só três discos (todos entre 1973 e 80), além dos “compactos” da década de 50.
No final de sua vida, um tanto amargurado por ver sua música saindo das periferias para ser resgatada apenas nos círculos “intelectuais”, Adoniran ainda enfrentou uma situação financeira bastante delicada.
Conhecido por gastar seus rendimentos com a boemia e com uma “generosidade” desgovernada com seus amigos de boteco, Adoniran morreu empobrecido. Mas não só devido a seus “exageros”. Pelo contrário. Assim como muitos daqueles que o inspiraram, Adoniran viveu, a partir de 1972, dependendo de uma mísera pensão de aposentado e dos poucas e mal pagas apresentações que fazia em circos e pequenos shows.
Fonte: Site do PSTU , clique aqui e conheça
Leia também o POST ADONIRAN: Cem anos do poeta do povo, cliuqe aqui
* Pequena edição na introdução, vez que o texto foi originalmente escrito para lembrar da data de falecimento de Adorinan, por Adriano Espíndola, o original pode ser encontrado clicando aqui
Labels: cultura
Friday, August 6, 2010
Labels: cultura
Monday, May 17, 2010
Para quem é de Uberaba e região ou simplesmente gosta de Raul Seixas
0 comments Posted by barongan at 1:57 PMEdson Santana, o Raul cover, é um amigo, jornalista autante e progressista, que atua em Uberaba.
O passa tempo do rapaz: brindar a nós, fãs do Raul Seixas, com shows performáticos, mandando muito bem as músicas do Maluco Beleza.
Mês que vem, vai ocorrer a quinta edição do já tradicional “Lual do Raul”, em Peirópoles, em Uberaba/MG.
Peirópoles, é um distrito de Uberaba (por aqui chamado bairro rural) e para quem não conhece, é um importante sítio arqueológico onde os dinossauros falam alto.
Pena que a prefeitura não dá o devido valor à localidade, que tem um tremendo potencial turístico.
Eu, que sou um dino do rock, estarei lá. O Lual vai ser no próximo 19.06.2010.
Maiores informações nos telefones 34. 3338-9300 e 3338-1508.
Compareça e ajude a divulgar o evento.
Adriano Espíndola
Labels: cultura, Raul Seixas, Uberaba
Saturday, March 27, 2010
Amigos, em homenagem ao aniversariante no dia de hoje, trago o texto abaixo, escrito pelo companheiro Wilson H. Silva, em 2006 para o site do PSTU (visite, clique aqui, hehe), com o qual tenho total acordo.
Adriano Espíndola
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Renato Russo e o tempo que não foi perdido
Wilson H. Silva da redação do Opinião Socialista e membro da Secretaria Nacional de Negros e Negras dos PSTU
Ele nasceu Renato Manfredini Júnior, em 27 de março de 1960, mas se tornou famoso com um sobrenome inspirado no poeta e filósofo iluminista Jean-Jacques Rousseau, no filósofo racionalista inglês Bertrand Russell e no pintor pós-impressionista francês Henri Rousseau.
Assim era Renato Russo: uma salada de referências e homenagens bastante exemplar do ecletismo que marcou a vida e a obra de um sujeito que não via barreiras entre poesia e filosofia, entre arte e a própria vida.
Autor de letras complexas, muitas vezes “quilométricas”, mas inesquecíveis, e dotado de posturas irreverentes, tanto no palco quanto na vida, Renato Russo incorporou como poucos o papel de “menestrel” de um mundo onde desilusões e esperanças colidem verso após verso. Um mundo onde o desejo de liberdade e a certeza da impossibilidade de sua satisfação no sistema em que vivemos convivem em luta permanente. Uma luta que, nos versos e na voz de Renato, às vezes brotou como grito de guerra, noutras como denúncia afiada e, em outras tantas, como doloroso lamento.
O trovador solitário
Quando estourou na mídia, juntamente com a Legião Urbana, em meados dos anos 80, Renato era uma expressão meio tresloucada das contradições que rondavam o país e o mundo naquele momento. Mas sua história tinha começado a ser escrita anos antes. Proveniente de uma família de classe média, o músico já tinha passado por uma série de experiências pessoais e artísticas que moldaram sua personalidade e criatividade: entre 7 e 10 anos, viveu em Nova York; aos 13, mudou-se para Brasília; dos 15 aos 17, conviveu com uma doença óssea que o manteve preso à cama e, conseqüentemente, aos livros e à música.
Nesse período, apresentando-se como “Trovador Solitário”, Renato compôs futuros sucessos como “Faroeste Caboclo” e montou a banda Aborto Elétrico (1978-1982), de onde surgiram bandas como Capital Inicial e a Legião.
Os quatro primeiros discos da Legião não só são marcas registradas daquele período, como também explicam o fenômeno.
Poucos artistas conseguiram, de forma tão ampla e complexa, levar para a arte os sentimentos controversos que abalaram o Brasil durante aqueles anos. Afinal, havíamos acabado de derrubar uma ditadura, mas suas marcas e mazelas continuavam por todos os cantos da sociedade; vivíamos a esperança da construção de um novo país, confrontados diariamente com as mais nefastas negociatas; desejávamos abraçar a liberdade sexual e, repentinamente, nos víamos cercados pelo medo da Aids.
Mudaram as estações e nada mudou
Quando o álbum “Legião Urbana” foi lançado, em 1985, muito daquilo que os jovens (e, inclusive, não tão jovens, que haviam militado no decorrer dos anos 70 e 80) da época tinham engasgado em suas gargantas ou sufocado em seus peitos ganhou voz e vida nos versos de músicas como “Geração Coca Cola”, “Será”, “Ainda é cedo”, “Por enquanto” ou “Baader-Meinhof Blues”.
Algo semelhante aconteceu em “Dois”, lançado em 1986. Para os mais politizados, não deixava de ser emocionante ouvir, logo na primeira faixa do vinil, um trecho de “Será” (Será só imaginação? Será que nada vai acontecer? Será que é tudo isso em vão? Será que vamos conseguir vencer?) mesclado com os ruídos de um rádio tocando “A Internacional”.
Também causaram comoção a primeira menção feita por Renato à homossexualidade (em “Daniel na Cova dos Leões”), a tresloucada história de amor de “Eduardo e Mônica” e a quase desesperada “Tempo Perdido”.
Do mesmo período, vale lembrar da coletânea “Que País É Este”. Lançado em 1987, o LP reunia músicas desde 1978 (sete delas do antigo Aborto Elétrico), duas que entraram definitivamente para a história da música brasileira: “Faroeste caboclo” e a mirabolante e quilométrica história de João de Santo Cristo, contada num estilo que o próprio Renato definia como uma mescla de Raul Seixas e cordel; e “Que país é este”, transformada, desde sempre, em hino contra as muitas maracutaias feitas pelos mandatários do poder desde então.
Em 1989, o lançamento de “As Quatro Estações” foi marcado, além dos mega-sucessos, pelo fato de Renato levar multidões a cantar, juntamente com ele, que gostava de “Meninos e Meninas”, música que o cantor usou para assumir sua própria homossexualidade. Sobre isso ele declarou: “Eu estava precisando me assumir há muito tempo (...) mas fica aquela coisa, filho de católico, ‘você é doente’, etc.
No meio do caminho, eu já estava pensando: pô, eu sou um cara tão legal, eu não posso ser doente. (...) Eu sempre gostei de meninos - eu gosto de meninas também -, mas eu gosto de meninos. Como é que não é natural? Se eu sou assim desde os quatro anos, então sou doente, pervertido... ah, não!”.
Vitimado pelas contradições de seu tempo, pouco depois, em 1990, Renato Russo declarou ser portador do vírus HIV e, como muita gente naquela época, atravessou um verdadeiro martírio público, motivado pelo preconceito, pela falta de medicamentos e pelo isolamento, até sua morte, em 11 de outubro de 1996.
Ainda com a Legião, Renato lançou “V”, em 1991. Nele destaca-se “Metal contra as nuvens”, belíssi-ma música de 11 minutos e meio que é um desabafo frente aos descalabros trazidos por Fernando Collor.
Outros álbuns são “Música para acampamentos” (1992, coletânea ao vivo), “O descobrimento do Brasil” (1993) e “A tempestade ou o livro dos dias” (1996). Nesse período a relação da banda não foi exatamente das mais calmas, muito por conta, inclusive, da difícil personalidade do próprio Renato e de suas incursões em polêmicos discos solo, como “Equilíbrio Distante” (1995) e, particularmente, “The Stonewall Celebration Con-cert” (1994). Este é uma coletânea de músicas feitas ou celebradas por gays, cujo título faz referência à rebelião no bar Stonewall, que deu origem ao movimento GLBT em 1969.
Será que foi tudo isso em vão?
Dez anos depois de sua morte (o texto é de 2006, Nota de Adriano), Renato continua também emblemático de uma das facetas mais revoltantes do “contraditório” mundo sobre o qual ele desejou cantar e falar: a apropriação mercadológica de tudo e qualquer coisa.
Em nome da satisfação permanente de uma legião de fãs, desde 1996 as produtoras têm se desdobrado para retroalimentar o mito e o mercado. Não faltou nada: coletâneas especiais, versões acústicas, registros inéditos de shows, letras perdidas, regravações do Aborto Elétrico e tudo mais que se possa imaginar, não faltando o apelo sensacionalista e a mediocrização da obra de Renato Russo, através de intérpretes para lá de questionáveis.
Que o mercado atue dessa forma, contudo, não é o mais importante. Afinal, este é o seu papel e é contra isso que, também, lutamos.
Dez anos depois, o que realmente importa ao lembrarmos de Renato Russo é o fato de ele ter conseguido embalar diferentes gerações de jovens que, com suas letras, conseguiram dar voz a suas próprias angústias, cantar seus medos, gritar por seus desejos, verbalizar suas verdades, versar sobre sua vontade de mudar o mundo, chorar por seus amores e rir com a certeza de que nada foi em vão.
Em breve, nas telas
Há vários projetos cinematográficos sobre Renato e sua vida.
O primeiro deles deve ser lançado em 2007. Dirigido por Antonio Carlos da Fontoura, o filme chamava-se “Religião Urbana” e centra-se na vida do compositor, em Brasília, entre os 18 e 23 anos. Já o estreante René Sampaio tem um projeto tanto tentador quanto difícil, transformar em filme os 159 versos (e nove minutos) de “Faroeste Caboclo”. Outro projeto, este de Denise Bandeira, também envolve uma música do cantor, que, certamente, daria uma bela história: Eduardo e Mônica.
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Friday, February 26, 2010
Eu não faço poesia
para agradar a burguesia.
Nem ao grande fazendeiro,
Eu componho os meus versos
("Advertência", um poema de 1997)
Caso queira conhecer mais poesias de minha autoria, clique abaixo
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/adrianoespindola
Sunday, February 14, 2010
Alegria, racismo e exploração disputam a avenida Porto da Barra um dia antes da abertura do carnaval em Salvador
Labels: capitalismo selvagem, carnaval, cultura
Friday, February 12, 2010
Morreu de infarto, neste 7 de fevereiro, José Ramiro Sobrinho, o Pena Branca, irmão do também falecido, em 1999, Ranulfo Ramiro da Silva, o Xavantinho. A dupla ficou famosa por preservar, nas suas canções e melodias, a autenticidades da viola sertaneja, tão raras nestes dias de “breganejos” – cantores sertanejos promovidos pela mídia, mas que nada mais são do que cantores de uma versão pobre e ruim das autênticas músicas sertanejas do interior do Brasil.
Labels: cultura
Wednesday, February 10, 2010
BIG BROTHER BRASIL, Estou fora!
Labels: cultura
Tuesday, February 2, 2010
Amigos e amigas,
Labels: blogdebate, cultura
Monday, February 1, 2010
O Rapper Daniel Garnett Epô manda muito bem na resposta ao ódio de classe de Bóris Casoy no rap “Isso é uma vergonha”.
Vergonhoso, ainda, é a Bandeirantes manter tal figura, que já fez parte do CCC (comando de caças ao comunistas) em seu quadro.
Televisão é lixo regorgitado por Casoy’s e Bonner’s da vida para manipular o povo.
Labels: alienação, cultura, poesia, trabalhadores em luta
Sunday, January 31, 2010
Assisti na primeira semana do ano ao filme Avatar, escrito e dirigido por James Cameron, famoso por películas como “Tit
anic” e “O Exterminador do Futuro”, ambas com boas metáforas sobre a condição humana, mas que se perdem diante da estratégia comercial dos filmes.
Este ‘pecado’ também está em Avatar. O fato de já ter sido montado como o filme de maior bilheteria de todos os tempos (será que o mundo vai acabar este ano?) foi prejudicial ao enredo. Em vários momentos, cenas carregadas de efeitos especiais parecem demasiadamente excessivas, mesmo para mostrar a exuberância do planeta Pandora, onde os fatos se desenrolam, ou quando a atuação dos atores é visivelmente prejudicada diante de tanto artificialismo.
A película também está em 3D. Esta dicotomia entre história e efeitos especiais parece que se aprofundou em Avatar devido a toda essa estratégia comercial.
Mas, ao contrário de Titanic e do Exterminador, há em Avatar uma história inovadora, talvez por retratar algo não muito novo na trajetória da humanidade. É a história, independente dos efeitos, o melhor do filme.
O planeta Pandora é povoado por povos originários - os Na'vis- e está em processo de colonização por seres humanos. E assim começa o filme. As referências ao planeta Terra no enredo surgem como um recurso natural esgotado. Já os recursos científicos e tecnológicos da humanidade neste tempo histórico são impressionantes.
Lamentavelmente, o ‘futuro’ ainda mantém uma poderosa indústria de guerra, as relações de exploração e opressão e a destruição da natureza como pressuposto ao desenvolvimento econômico. Isso numa análise sóciopolítico é péssimo, já que induz a ideologia de que a humanidade em perspectiva histórica será sempre capitalista, mas para o enredo do filme, esta humanidade predadora é excelente.
Em filmes assim a maldade e a bondade estão muito bem separadas em papéis. Em Avatar é a humanidade capitalista a representação da maldade. A exceção de Distrito 9, não lembro de outro filme com alienígenas onde estes estejam em condição tão antagônica com os humanos e os humanos estão tão explicitados como o mal. Se bem que os alienígenas da história somos nós, e não eles!
A colonização de Pandora se dar com o objetivo de extrair um poderoso e valioso minério – o fictício unobtanium. Pandora também possui uma alta biodiversidade e povos nativos umbilicalmente ligados à natureza, até no sentido literal, e que atacam constantemente a base militar humana. Já no início do filme, este cenário me fez lembrar o processo de expansão capitalista na Amazônia com seus projetos hidrelétricos, a extração de madeira , o agronegócio e as grandes multinacionais mineradoras em conflito com ribeirinhos, indígenas, quilombolas, seringueiros e outros povos chamados tradicionais.
A atmosfera do planeta é tóxica aos humanos que necessitam usar máscaras. O desenvolvimento de um protótipo dos Na’vís – o povo local – através de um programa chamado Avatar superaria este problema e abriria a possibilidade de uma “pacificação” entre os nativos e os humanos alienígenas. A tecnologia permite o controle mental dos protótipos de humanos conectados em máquinas.
Esta estratégia de humanos travestidos de nativos se infiltrando na comunidade local para convencê-la das boas intenções humanas metaforicamente me pareceu técnicos, ongueiros, e extensionistas e sua relação histórica com os povos do campo; os agentes do FMI e do Banco Mundial nos países pobres do globo ou os políticos do PT e da CUT no interior dos movimentos sociais. Buscam uma “pacificação” por meio de alianças/parcerias, mesmo que para isso signifique o extermínio de culturas, tradições e povos. Embutem a ideologia do inevitável/inexorável como pressuposto para evitar a luta social.
Jake Sully (Sam Worthington) – um soldado paraplégico - é um dos humanos a fazer parte do projeto. Sua participação é acidental. A possibilidade de voltar a andar através do protótipo de um Na’vi o faz vê as novas possibilidades do novo mundo. Sigourney Weaver, a melhor do elenco que não é lá essas coisas, é uma espécie de antropóloga-botânica. Entre os humanos é ela que mais conseguiu avançar no contato com os indígenas. Numa expedição, Jake Sully se perde do grupo ao ser atacado por uma fera local e conhece a nativa Neytiri, surgindo daí uma história de amor.
O romance lembra outras históricas já batidas no cinema, mas os conflitos entre espécies, civilizações e mundos tão antagônicos trazem elementos psicológicos muito interessantes, apesar da atuação do ator Sam Worthington deixar a desejar neste aspecto, ou melhor, os efeitos especiais deixaram a desejar, já que 60% do filme é computação gráfica.
Avatar é uma excelente metáfora do presente. Não considerei um filme ecológico como li em algum lugar e sim um filme sobre os destinos da humanidade onde a natureza é colocada como um dos elementos desta questão. Mas há ainda outros lados muito bem tratados como a possibilidade da humanidade se vê como o estranho, a inexistência de neutralidade nas lutas sociais, a inexistência de superioridade cultural e como é possível aprender com as diferenças. Mesmo quando erra como na batida fórmula do herói branco do norte capaz de coisas pra lá de espetaculares, Avatar trás reflexões.
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Impossível não comparar um dos momentos mais dramáticos do filme, quando os reais planos dos humanos vêem a tona e os argumentos de uma negociação mediada caem por completo. Os efeitos especiais nesta parte foram muito bem usados e analogicamente lembram Gaza ou Bagdá sendo bombardeadas por Israel ou Estados Unidos, diante da brava resistência. Também é impossível não pensar no choque dos grandes projetos na Amazônia que quase dizimaram os paranás no norte do Mato Grosso quando da abertura da BR-163 e os gavião durante a construção da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará.
Bom para lembrar ainda que assim como os Na’vís, hoje há uma brava resistência de comunidades na Gleba Nova Olinda e na Resex Renascer contra e extração de madeira e de indígenas e ribeirinhos do Xingu contra a hidrelétrica de Belo Monte, todos exemplos aqui no Pará mas que podem ser ilustrados mundo a fora. Porém, há ainda muitos humanos travestidos de Na’vis, lobos em pele de cordeiro, levando grupos inteiros à completa derrota e perda de sua identidade cultura e material.
Estas possibilidades de reflexão salvam Avatar e tornam o filme bom para ser assistido e debatido.
Cândido Neto da Cunha, 21 de janeiro de 2009, do blog Lingua ferina, clique aqui para acessá-lo .
Postado por Cândido Cunha às 21.1.10
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Monday, December 28, 2009
Thursday, December 10, 2009
Superprodução une governo, empresários e centrais sindicais
DIEGO CRUZ, da redação do Opinião Socialista do PSTU
No primeiro dia de 2010, as salas de cinemas serão invadidas por uma superprodução que ambiciona ser um marco no número de espectadores da sétima arte no país, superando o recorde atual, o filme Dona Flor e seus Dois Maridos, visto por 12 milhões de pessoas em 1979.
Lula, o Filho do Brasil, foi orçado inicialmente em nada menos que R$ 18 milhões. Os produtores, a fim de evitar polêmica, se abstiveram de procurar subsídios ou isenções fiscais. Nem precisaram, já que todos os custos foram bancados por grandes empresas e empreiteiras. O que não impediu a acusação de que se trata, na verdade, de uma espécie de propaganda eleitoral, já que todos sabem que 2010 será marcado pela disputa da sucessão presidencial.
O que estaria por trás do épico que promete revelar a vida de Lula? Seria de fato uma forma de beneficiar a candidata eleita pelo presidente para substituí-lo nos próximos quatro anos ou, como juram seus realizadores, apenas um filme sem qualquer pretensão política?
Leia o restante da matéria acessando o site do PSTU, clique aqui
Labels: cinema, cultura, governo Lula
Sunday, November 22, 2009
Para a nação rubro negra que está secando o São Paulo, uma bonita versão do hino do Flamengo
Adriano
À procura de Eric: comédia de Ken Loach retrata mais que o futebol e a classe operária
0 comments Posted by barongan at 9:52 AMDiego Cruz da redação
Muitos se surpreenderam ao saber que o novo filme do cineasta britânico Ken Loach se tratava de uma comédia. Á procura de Eric (Looking for Eric), porém, apesar do gênero, nada deve à filmografia de Loach, conhecido por seu cinema engajado e por explorar uma temática sempre ligada à classe operária. Fazem parte dessa lavra, por exemplo, filmes como Pão e Rosas, Meu nome é Joe e talvez seu filme de maior sucesso, o épico Terra e Liberdade, sobre a guerra civil espanhola.
No novo filme de Loach, em cartaz desde o dia 13 de novembro no Brasil após passar pela Mostra Internacional de cinema em São Paulo, temos a história do carteiro Eric Bishop (Steve Evets), homem de meia idade em constante crise e que, como seus companheiros, encontra no futebol sua principal válvula de escape. Após sofrer um acidente de carro e começar a fumar maconha para aliviar a tensão, Eric começa a receber a “visita” do ex-jogador francês Eric Cantona, seu ídolo, numa espécie de alucinação.
Tuesday, October 27, 2009
Adriano Espíndola Cavalheiro
Sob a sombra da indiferença
da burguesia ocidental,
com seus governos e suas mídias,
a arrogância sionista,
com sua bélica brutalidade
faz sangrar-te, ó Palestina.
Mas, em meu coração dolorido,
ainda vive a esperança,
de uma Palestina livre, laica e democrática:
judeus, árabes, cristãos, muçulmanos,
sem sionismo,
sem fundamentalismo.
Meu desejo de vingança?
Não confunda, caro amigo,
é um grito em desespero,
pedras contra o racismo
contra a intolerância.
É meu clamor por Justiça!
*Inspirado em Palestina, Palestina de GEORGES BOURDOUKAN
http://blogdobourdoukan.blogspot.com/2009/10/palestina-palestina.html
Outubro de 2009
Monday, October 19, 2009
“A vida não é um filme e você não entendeu”… Mas ela pode estar num filme de forma que todos possamos entender.
“Herbert de Perto” é um documentário que traz Herbert e seus sucessos paralâmicos para muito perto. Da musicalmente criticada década de 80 o filme foca o que ela teve de melhor.
Se você é fã de cinema ou dos Paralamas, ou se como eu é fã dos dois, leia o resto do artigo e assista um clipe do filme, clicando abaixo:
clique aqui e acesse o restante do artigo no blog Cinema é a minha praia!
Adriano Espíndola
Sunday, October 11, 2009
A Negra, a Índia, a Mulher, a Cholita comunista
O dia em que conheci a Mercedes Sosa...
Estas letras são um encontro com um pedaço do meu passado, com uma página da minha juventude, com a raiva, com o ódio que morde devagar, até sangrar os lábios, a dos punhos fechados contra a injustiça, a violência, contra as botas assassinas.O dia em que conheci Mercedes Sosa.
Não foi em um teatro, foi no cenário da vida, como uma jovem do interior, igual a ela, a conheci na universidade, em uma universidade “ocupada” pelos estudantes, lutando contra os que queriam impor o que devíamos vestir, o que devíamos estudar, o que devíamos pensar.
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Saturday, September 19, 2009
Os homens erguem Igrejas,
templos e fazem altares.
Empregam padres,
guias e pastores,
toda uma gama de gente
que tem na fé a profissão....
Ah se a humanidade soubesse
que Deus está dentro dela e
como qualquer outra divindade,
precisa do homem para existir.
Ainda que os de cima
digam que a vida seria obscura.
me arrisco a dizer que a raça humana
seria plena e feliz.



