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Saturday, October 8, 2011
QUESTÃO PALESTINA: Porque se faz necessário o fim do Estado de Israel?
0 comments Posted by barongan at 8:33 AMAmigos e amigas
Clicando na frase abaixo, vocês estarão sendo remetidos para postagem na qual se debate a questão palestina e a necessidade da destruição do estado artificial de Israel, para a implementação da paz e da justiça naquela região do Oriente Médio.
Clique aqui para acessar o texto.
Abraços,
Adriano Espíndola
Labels: imperialismo, Israel, oriente médio, palestina
Saturday, September 24, 2011
Pela derrota de EUA e Israel na ONU!
por RONALD LEÓN, DA LIT-QI (Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional)
A luta histórica do povo palestino contra o Estado nazista-sionista de Israel, que é parte central da luta de todos os povos do mundo contra a dominação imperialista de conjunto, novamente se encontra no centro da polêmica mundial.
O atual líder da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmud Abbas, apresentou no dia 23 de setembro, diante o Conselho de Segurança da ONU uma demanda para o reconhecimento oficial da Palestina como Estado independente, com plenos e idênticos direitos de todas as demais nações. Este status lhe permitiria, por exemplo, denunciar perante a justiça internacional a ocupação de seus territórios por forças sionistas. Na atualidade a Palestina tem, dentro da ONU, um status que não é de Estado, mas sim de entidade “observadora permanente”.
Essa proposta defendida pelas autoridades palestinas encontra grande simpatia e expectativa não só no mundo árabe, mas também no conjunto da esquerda e do ativismo mundial. No entanto, é preciso colocar com clareza que essa proposta, além de ser escandalosamente limitada, abandona as reivindicações históricas do povo palestino. A proposta de Abbas à ONU propõe conformar um “mini-Estado” palestino cujas fronteiras serão anteriores a de 1967, e com um território compreendido por Gaza, Cisjordânia e a parte de Jerusalém, como capital. Ou seja, é, de fato, uma capitulação a Israel, pois legitima o roubo dos territórios palestinos que usurparam os sionistas em 1948. Segundo publicações da rede de TV Al Jazeera, o presidente Abbas aceitou condições como a permanência dos colonos israelenses que ocupam Cisjordânia, e que esse novo Estado palestino não possua Forças Armadas próprias. Aceitou que até uma força militar da OTAN (Aliança Militar do Atlântico Norte) seja colocada no seu território.
Outro elemento importante, é que Abbas só faz essa proposta neste momento devido à impressionante pressão do processo revolucionário que sacode ao mundo árabe, historicamente simpatizante da causa palestina. Basta ver a recente manifestação contra a embaixada de Israel no Egito.
No entanto, apesar de todas as limitações que tem a reivindicação de Abbas, o imperialismo norte-americano e obviamente Israel se opõem categoricamente à proposta. Barak Obama já anunciou que os EUA recusarão a ideia de um Estado independente palestino e que, se for necessário, farão valer seu direito ao veto. O presidente norte-americano declarou ainda, de forma enganosa, que a "paz não chegará mediante declarações e resoluções na ONU (…). Em último caso, são os israelenses e os palestinos, e não nós, os que devem chegar a um acordo sobre as questões que lhes dividem: as fronteiras e a segurança, os refugiados e Jerusalém”.
Com sua acostumada hipocrisia, acrescentou, ao mesmo tempo, que ambos os setores têm “aspirações legítimas". No mesmo sentido, o próprio Abbas declarou e chamou Israel a que reconheça um Estado palestino e não a "perder a oportunidade para a paz".
Nós, da LIT-QI, não mudamos absolutamente em nada nossa posição histórica, que parte da necessidade da destruição do Estado nazista-sionista de Israel como condição indispensável para que exista paz na região. Reivindicamos uma Palestina livre, laica, democrática e não racista. Nunca haverá paz enquanto exista o Estado genocida de Israel, na medida em este é um enclave, um estado Policial dos interesses imperialistas na região. Também não mudamos nossa caracterização sobre a direção política palestina atual: a ANP é uma direção absolutamente entreguista e que trai as bandeiras históricas de seu povo.
Por tudo isso não pode existir e nem conviver “pacificamente” dois Estados. Israel nasceu como um instrumento da contrarrevolução no Oriente Médio. Foi concebido e sustentado pelas potências imperialistas e Stalin. Nós não confiamos de forma alguma na ONU. Sabemos que as decisões votadas nesse espaço nunca poderão servir como solução de fundo para a questão palestina. Tanto é aasim, que a ONU (que hoje pretende atuar como juiz supremo para conceder ou não o direito dos palestinos a ter um Estado) foi a que dividiu Palestina em novembro de 1947, lhe roubando o 54% de seu território em favor de Israel. Nessa época, foram expulsos de suas terras ancestrais mais de 700 mil palestinos, suportando uma série de ofensivas assassinas, no qual o novo Estado nazista-sionista arrasava e massacrava populações inteiras em seu afã de se consolidar. Desde então, o povo palestino vive confinado em campos de refugiados em Gaza, Cisjordânia, Líbano, Síria e em outras dezenas de outros países.
Estamos pelo voto favorável ao novo Estado palestino
Nós da LIT-QI estamos pela derrota da posição dos EUA e de Israel nesta votação que se realizará na ONU. Nossa posição parte de um momento em que ocorrerá uma votação sobre uma questão muito concreta (o reconhecimento ou não o novo Estado palestino). O imperialismo está negando a Palestina os direitos básicos que têm outras nações. O direito a um Estado independente palestino pode está gerando uma série de mobilizações na Palestina e em outros pontos do mundo árabe. Por isso, nos posicionamos pelo direito democrático e pela derrota do imperialismo ianque e de Israel nessa votação. Isto não significa, porém, que concordemos com a proposta de Abbas. No entanto, é claro que uma derrota do imperialismo e do sionismo nessa votação, fortaleceria o processo revolucionário árabe e enfraqueceria Israel, muito questionado na região.
Israel, em razão dos golpes da revolução árabe, encontra-se a cada vez mais isolado. Recebeu golpes no Egito, que se expressou no episódio da embaixada israelense; outro com o afastamento da Turquia, que antes era um de seus principais aliados na área; e outro na Jordânia. Esses golpes colocaram Israel em uma situação complexa. A tarefa é, por meio das mobilizações a nível internacional e nacional, isolar o Estado sionista cada vez mais. Sabemos que a solução real e a satisfação às reivindicações palestinas não passam pelas negociações, nem ao menos pela ONU. No entanto, podemos aproveitar o fato de que se esteja discutindo a questão para gerar ou potencializar processos de mobilização, além de redobrar esforços na campanha contra Israel.
É nesse marco que devemos seguir impulsionando a campanha mundial de boicote e pelas sanções contra Israel à qual se somaram inúmeras organizações palestinas e não palestinas, desde 2005. Apesar de seus limites, ao não propor a destruição do Estado de Israel, a campanha coloca objetivos muito progressivos, como o direito de retorno para todos os refugiados palestinos e o fim de todas as agressões israelenses e do bloqueio a Gaza. Ademais, é imperioso exigir em todos os países a ruptura de relações diplomáticas e comerciais com os sionistas.
Não obstante, insistimos e seguimos sustentando que a única maneira de defender realmente os direitos do povo palestino é lutar pela bandeira original da antiga OLP (Organização para a Libertação da Palestina): a luta pela destruição do Estado de Israel e a construção de um Estado Palestino laico, democrático e não racista, em todo o território de Palestina.
Labels: imperialismo, Lit, palestina, sionismo
Tuesday, May 3, 2011
MUNDO: Assassinato de Bin Laden não vai impedir massacres do imperialismo
0 comments Posted by barongan at 5:21 AMNão há motivos para festejar o assassinato de Bin Laden. O terror continuará sendo disseminado pelo mundo através das baionetas do imperialismo.
JEFERSON CHOMA
da redação do Opinião Socialista do PSTU
No início da madrugada da última segunda-feira, dia 2, o presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou que forças especiais norte-americanas mataram Osama Bin Laden, líder da organização terrorista Al Qaeda.
O assassinato de Bin Laden ocorre quase 10 anos depois dos atentados às Torres Gêmeas, supostamente atribuídos e planejados pelo terrorista árabe. Os atentados do dia 11 de setembro mudaram a situação política internacional, pois fortaleceram um então enfraquecido governo Bush, servindo como pretexto necessário para implementar seus planos de invasão do Afeganistão e do Iraque, além de lhe proporcionar amplo apoio popular.
As ações terroristas da Al Qaeda não têm como objetivo organizar as massas, tampouco tem algum respeito com a vida de inocentes. Seus atentados estão direcionados a causar o máximo possível de baixas civis, para que o choque e a dor provocados por suas ações sejam as maiores possíveis.
Como afirmava Leon Trotsky, “o terror individual é inadmissível porque minimiza o papel das massas em sua própria consciência, as faz aceitar sua impotência e volta seus olhos e esperanças para o grande vingador e libertador que algum dia virá para cumprir sua missão.”
Dez anos depois ficou óbvio que os atentados terroristas mudaram a conjuntura internacional e serviram para reforçar as posições dos exploradores e dos opressores, ao invés de enfraquecê-los e derrotá-los, ao mesmo tempo em que dividem a classe trabalhadora, ao invés de uní-la através da solidariedade internacional.
Por outro lado, a condenação aos métodos do terrorismo individual não significam que estejamos ao lado do imperialismo em sua “cruzada contra o terrorismo”. O principal responsável pelos atos terroristas é o próprio imperialismo, com toda a barbárie e violência que espalha pelo mundo. O que ficou mais do que visível após as guerras deflagradas no Oriente Médio.
Em nome da guerra “contra o terror” o imperialismo invadiu o Iraque para destruir as supostas armas de destruição em massa. Na verdade estava interessado em abocanhar o petróleo do país, que possui a segunda maior reserva do mundo. A invasão provocou a morte de milhões. Uma pesquisa da Opinion Research Business (ORB), conduzida entre 12 e 19 de Agosto de 2007, estimou 1.220.580 mortes violentas devidas à guerra no Iraque. De uma amostra nacional de 1499 iraquianos adultos, 22% tinham um ou mais membros da sua família mortos devido à guerra.
Em nome da “luta contra o terror”, os soldados do imperialismo cometem assassinatos gratuitos contra a população afegã, conforme registram os mais de 90 mil documentos do Exército dos Estados Unidos divulgados pelo site Wikileaks. As torturas da Prisão de Abu Ghraib mostraram apenas a ponta do iceberg da realidade de sangue e terror da ocupação militar. Assim como a prisão de Guantánamo que até hoje se mantém em funcionamento, apesar das falsas promessas de Obama em fechá-la.
Certamente, Obama vai tentar capitalizar o assassinato do terrorista nas eleições presidenciais, quando tentará se reeleger. A ação do imperialismo também serve como uma demonstração do poderio militar norte-americano, num claro recado aos povos árabes que hoje protagonizam revoltas e revoluções contra seus tiranos e servis.
Não há motivos para festejar o assassinato de Bin Laden. O terror continuará sendo disseminado pelo mundo através das baionetas do imperialismo. Logo após o anúncio da morte do líder da Al Qaeda, a secretária de Estado Hilary Clinton foi a público declarar que a “morte” de Bin Laden não corresponde ao fim da “guerra contra o terror”. Ou seja, o massacre de inocentes pelas mãos do imperialismo vai continuar.
PS De Adriano Espíndola: Como disse anteriormente, a morte de Laden faz parte de uma arriscada estratégia para reeleição de Obama. Acrescento para dizer que é lamentável ver a comemoração da juventude estaduniense comemorando a morte de alguém, ainda que de um terrorista, com alegria, uma total demonstração de incivilidade e um caminho fértil para o facistas.
Labels: EUA, imperialismo, oriente médio, PSTU
Monday, May 2, 2011
O britânico The Guardian noticia a fraude e dá crédito ao twitter por ter desvendado a photoshopada:
Veja as fotos:
A foto do meio, de um homem morto faz tempo e que circula na net, foi misturada com a primeira, resultando na última.
De qualquer forma, creio que Osana estava morto há muito tempo. Se, entretanto, foi morto só agora é porque a morte anunciada (sendo verdadeira ou falsa, o que será dificil de comprovar por investigadores independentes, já que o corpo foi jogado em alto mar pelos estadunienses) serve para inflar o combalido Barack Obama, permitindo-lhe disputar a reeleição em melhores condições.
Ou seja, ressucitaram Osama para que Obama, matando-o, possa viver seu projeto de reeleição.
Adriano
Fonte: http://www.guardian.co.uk/world/2011/may/02/osama-bin-laden-photo-fake
Labels: capitalismo selvagem, imperialismo, Obama
Monday, March 28, 2011
Título Original: Abaixo a intervenção imperialista! Abaixo Kadafi! Viva a revolução árabe!
Escrito por LIT-QI
Seg, 21 de Março de 2011 19:37
Abaixo a intervenção imperialista no Oriente Médio e Norte da África!
Abaixo Kadafi e todas as ditaduras árabes!
Viva a revolução árabe!
O Conselho de Segurança da ONU votou uma zona de exclusão aérea para a Líbia. Essa medida é parte de uma resposta recente do imperialismo contra o processo revolucionário no Norte da África e no conjunto do Oriente Médio. Para o imperialismo, o avanço da revolução árabe é uma ameaça gravíssima, pois coloca em xeque um dos pilares centrais da ordem mundial: o lugar onde estão as fontes de petróleo e gás mais importantes do mundo. Também põe em perigo a existência do Estado de Israel, o agente militar do imperialismo no Oriente Médio.
Diante do fato de que as revoluções não cessam, ameaçando se estender inclusive para a Arábia Saudita, o imperialismo decidiu intervir militarmente e conter o processo a qualquer custo, antes que perca completamente o controle. Por isso, após uma discussão intensa e de indecisão, o imperialismo votou pela intervenção militar na Líbia. Esta é parte de um contra-ataque militar coordenado em várias frentes, assumindo diferentes formas, mas com o mesmo objetivo.
Em Bahrein, sede da Quinta Frota dos Estados Unidos, diante da ocupação da principal praça da capital pelas massas, que ameaçavam derrubar a monarquia, e devido à crise do exército do emir, incapaz de reprimir os protestos, o imperialismo resolveu intervir por meio das tropas da monarquia saudita e dos Emirados Árabes Unidos, seus agentes incondicionais. No Iêmen, está estimulando a feroz repressão do ditador Saleh, que só esta semana deixou mais de 40 mortos.
A zona de exclusão aérea na Líbia
Na Líbia, o imperialismo tomou a decisão de intervir militarmente com suas próprias forças e sob a cobertura da ONU, decretando uma zona de exclusão aérea que se converte em uma licença para a intervenção militar. Isso significa que as forças armadas dos países imperialistas, por meio da OTAN, estão autorizadas a atacar qualquer instalação militar na Líbia.
No entanto, preocupado com o profundo desgaste devido a suas intervenções no Iraque e na atual ocupação no Afeganistão, o imperialismo norte-americano tratou de buscar uma ampla frente para respaldar sua intervenção militar com os demais imperialismos da Europa, com a Rússia e a China, por meio do Conselho de Segurança da ONU, e inclusive com a Liga Árabe. Para isso, utilizou como desculpa o genocídio iniciado por Kadafi, visto por todo o mundo pela televisão, como massacres perpetrados pelo ditador. Mas se esse fosse o verdadeiro motivo, como explicar que, ao mesmo tempo, o imperialismo apoia as monarquias da Arábia Saudita e do Bahrein e o ditador do Iêmen, que estão reprimindo e assassinando os manifestantes desses países?
Qual o objetivo da intervenção imperialista?
É necessário deixar claro que o pretexto dessa intervenção militar, sob a cobertura da ONU, são os massacres de civis executados por Kadafi. Mas a verdadeira razão do imperialismo é se aproveitar da indignação generalizada contra o ditador e voltar a intervir militarmente de forma direta em uma região onde a revolução árabe está em pleno curso e reassegurar o controle dessa região em um ponto crítico: a Líbia.
O grau de radicalização do enfrentamento do povo líbio contra Kadafi é tão grande que o imperialismo intervém para evitar que a guerra civil se estenda e para impedir que a revolução árabe se radicalize ainda mais, seja no caso de vitória militar imediata de Kadafi, que abriria a possibilidade de uma guerra de guerrilhas, seja no caso de uma guerra civil prolongada em um país central para o fornecimento de petróleo e que poderia gerar movimentos de apoio e incendiar toda a região.
Com o mesmo cinismo com que apoiaram o ditador por anos e receberam-no nas capitais europeias com cerimônias de honra, as potências imperialistas passaram a adotar outra tática agora que a população se levantou em armas contra ele: retiraram seu apoio para impor uma saída que estabilize a situação e imponha seus interesses, como faziam com Kadafi, mas controlando a situação.
O que mudou para o imperialismo não foi o fato de que Kadafi passou a massacrar civis. Foi que explodiu uma revolução e uma insurreição armada contra o ditador apoiada pela maioria da população e o imperialismo precisa estabilizar a situação.
Mas existe uma preocupação do governo Obama com a situação política e o desgaste dos EUA com as ocupações do Iraque e do Afeganistão na região e que repercute fortemente nos Estados Unidos. Por isso, tratou de ampliar a frente imperialista e de buscar o apoio dos povos árabes, do líbio em especial, para essa intervenção. Daí também a importância de conseguir o apoio da Liga Árabe para a decisão de decretar a zona de exclusão aérea.
A reação dos insurretos
No início da insurreição, os rebeldes capturaram um helicóptero com oficiais ingleses que queriam negociar com eles, mas imediatamente os expulsaram. Havia uma clara hostilidade ao envolvimento do imperialismo na luta do povo líbio. O imperialismo esperou que essa situação mudasse, aproveitando-se de uma baixa no ânimo do povo líbio diante dos massacres e das derrotas militares que expressaram uma superioridade muito grande dos armamentos e equipamentos a favor de Kadafi. Contra os comitês populares com trabalhadores sem experiência no manejo das armas tomadas do exército regular estão as Brigada Khamis, divisões bem armadas e treinadas que combatem por Kadafi.
O imperialismo aproveitou-se de um momento na guerra civil em que havia uma ofensiva das tropas de Kadafi contra as cidades libertadas pelos rebeldes e em que estes perderam boa parte de suas conquistas e se sentiam cercados. Isso gerou uma atitude de expectativa por alguma ajuda externa ao povo líbio, ameaçado pelos massacres do ditador. Ao contrário dos primeiros momentos, em que os comitês populares rechaçavam a intervenção imperialista com cartazes e declarações, agora houve expressões de apoio popular à intervenção da ONU, à zona de exclusão aérea, que se refletiu inclusive com cartazes em Bengazi.
É preciso denunciar os dirigentes burgueses líbios da oposição que estão chamando o apoio às decisões da ONU. Grande parte destes dirigentes veio do governo de Kadafi, e agora chamam abertamente à intervenção militar imperialista com tropas terrestres. Isso demonstra como estão dispostos a servir de agentes do imperialismo e a trair a revolução líbia.
A LIT-QI está do lado da revolução líbia, contra Kadafi, apesar da posição pró-imperialista de vários dirigentes da oposição. E queremos alertar os manifestantes de Bengazi: essas tropas imperialistas, assim que entrarem na Líbia, serão os novos ocupantes do país, e a primeira medida que tomarão será desarmar os comitês populares para garantir que o governo que fique no país atenda a seus interesses. Mesmo que sejam tropas da ONU sua tarefa será essa, e quem se opor será reprimido.
A presença de tropas estrangeiras servirá para dar ao imperialismo o controle sobre a Líbia, como o que impôs no Iraque e no Afeganistão. A prova disso é o seu apoio à repressão sangrenta no Bahrein e no Iêmen, que tem a mesma razão de fundo: impor uma estabilização de acordo com seus interesses. Por isso, somos completamente contra essa intervenção e chamamos os insurretos a repudiá-la e a combatê-la. A realidade coloca dois inimigos a serem combatidos: Kadafi e o imperialismo, que vem controlar o país com um discurso humanitário e de “paz". Além disso, a intervenção serve de desculpa para Kadafi se apresentar como vítima e “defensor da soberania nacional”.
Duas polêmicas
Neste momento, encontramos dois tipos de posições na esquerda que devem ser combatidas duramente. Ao redor de Fidel Castro, Daniel Ortega e Chávez, os “amigos de Kadafi”, armou-se uma posição que afirmava ser necessário apoiar Kadafi porque o imperialismo está contra o ditador por ele ser antiimperialista. Mas isso é completamente falso: o imperialismo sustentou Kadafi, vendeu-lhe armas e treinou seus soldados nos últimos anos. Além disso, Kadafi disse aos governos imperialistas, reiterando durante os confrontos, que ele poderia continuar garantindo os interesses do imperialismo em relação ao petróleo, continuar combatendo o terrorismo da Al Qaeda em colaboração com as potências imperialistas e continuar colaborando com uma polícia avançada da União Europeia para impedir que os imigrantes ilegais da África chegassem à Europa.
Kadafi, que no passado, assim como a direção cubana e a sandinista, teve sérios enfrentamentos com o imperialismo (hoje é seu sócio), está reprimindo com sangue essas mobilizações, a tal ponto que provocou uma guerra civil.
Mas Fidel Castro, Hugo Chávez e Daniel Ortega estão do lado do genocida Kadafi nesta guerra. Esses dirigentes que se dizem representantes da esquerda continuam defendendo um carniceiro que era amigo do imperialismo. Chegam a negar ou duvidar (falam de guerra midiática) que tenha havido ataques contra os civis e massacres que foram vistos em todos os meios da imprensa mundial, por internet, e as fotos transmitidas etc. Mas o próprio Kadafi confirmou os ataques com um comentário cínico de que “fazia o mesmo que Israel em Gaza”, isto é, massacres genocidas contra a população civil. O fato é que foi Kadafi e sua prática genocida que deu argumentos para o imperialismo intervir militarmente.
Alguns defensores desse tipo de posição dizem que a decisão do Conselho de Segurança confirma sua análise, mas é necessário ver além das aparências: se agora todas as potências imperialistas resolvem intervir, com o consentimento da Rússia e da China, é justamente para garantir os acordos que tinham com Kadafi e que ele, por mais que se disponha em mantê-los, já não é uma garantia.
A outra posição na esquerda é uma grave capitulação ao imperialismo. Referimo-nos àqueles que saúdam a intervenção do imperialismo “em defesa dos civis” ou “para parar o massacre”. Alguns se limitam a apoiar a zona de exclusão aérea já aprovada, outros inclusive apoiam que o imperialismo intervenha com tropas de paz. Esses setores confiam que as tropas da ONU são a paz. O argumento em geral é que, para frear o massacre, é necessário apelar para as instituições internacionais.
Quem propõe como saída à intervenção imperialista se esquece do papel da ONU no Afeganistão, na Palestina, no Iraque e em todas as ocupações supostamente “humanitárias”. São aqueles que vêm em Obama um rosto humano por mais que continue ocupando o Afeganistão e o Iraque e bombardeando o Paquistão.
Essa posição é tão nefasta que leva os trabalhadores a apoiarem uma intervenção imperialista na Líbia, que será a base para a ocupação e a opressão do povo líbio e um ponto avançado para atacar o conjunto da revolução árabe. Ao contrário, é necessário fazer uma forte campanha nos países imperialistas contra o envio de tropas, desmontando a campanha que estão fazendo para justificar sua intervenção militar, e nos mobilizar contra os governos que participam dos planos de ocupação.
A saída: a revolução árabe
A intervenção militar imperialista serve para enterrar a revolução. O campo da revolução deve enfrentar esta intervenção, pois o novo ocupante reprimirá todo aquele que se oponha a ocupação.
Temos que recordar às massas líbias que sua revolução é parte da revolução árabe e por isso conta com um grande apoio no Norte da África, Oriente Médio e dos trabalhadores de todo o mundo, em especial da Europa, onde a relação é muito estreita pela presença de uma forte comunidade imigrante árabe e do Norte da África. E é aí, entre os trabalhadores e o povo, que estão as fontes de apoio que devem ser buscadas. Mas é necessário transformar essa solidariedade, com que a revolução líbia conta em todo o mundo árabe, em força de combate para derrotar a Kadafi pela ação de massas de toda a região, sendo a mais ampla possível. É preciso chamar a mais ampla solidariedade com a revolução. Nos países árabes a primeira tarefa é exigir dos governos que retirem o apoio à intervenção imperialista aprovado pela Liga Árabe. É preciso chamar a solidariedade ativa das massas árabes por meio do envio de armas e voluntários para combater essa ditadura assassina.
Em particular nos países onde a revolução teve um forte desenvolvimento e que são vizinhos da Líbia, como Egito e Tunísia, é necessário denunciar esses governos por sua posição atual e exigir que retirem o apoio à intervenção votado pela Liga Árabe, e que rompam com o ditador Kadafi, facilitando o envio de apoio em alimentos, remédios e armas aos rebeldes.
O exemplo da guerra civil espanhola e da nicaraguense, para derrubar Somoza, demonstrou que quando se trata de uma guerra civil em que de um lado está uma ditadura assassina e de outro o povo em armas, é possível que ativistas de todo o mundo se somem para combater do lado da revolução, como brigadas internacionalistas de apoio. Especialmente no mundo árabe, que vive uma revolução, é possível organizar milhares e milhares de trabalhadores e jovens para lutar contra essa ditadura sanguinária. Essa organização deve estar pronta para combater qualquer intervenção imperialista que tente dominar o país e que possa esmagar a insurreição.
Também é urgente o apoio à revolução no Bahrein e no Iêmen. A revolução árabe é um processo único, o resultado em cada um dos países influenciará no desenlace do conjunto do processo. O futuro da revolução egípcia e tunisiana também será decidido aí.
- Não à intervenção imperialista!
- Não à zona de exclusão aérea sob o controle da ONU!
- Não ao envio de tropas imperialistas à Líbia, sejam da ONU, da OTAN ou de outros países!
- Fora as tropas sauditas e dos Emirados do Bahrein!
- Abaixo Kadafi! Todo o apoio à insurreição líbia!
- Abaixo a monarquia de Bahrein, a ditadura do Iêmen e todas as ditaduras árabes!
- Todo apoio à revolução no Iêmen e no Bahrein!
- Viva a revolução árabe!
Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional
Fonte: Site da Lit
Labels: imperialismo, Líbia, Lit, PSTU
Monday, March 21, 2011
SENTENÇA INÉDITA: JUIZ DO TRABALHO PROMOVE DIÁLOGO ENTRE AS LEIS PARA GARANTIR DIREITO DO TRABALHADOR
0 comments Posted by barongan at 4:03 PM
Grande parte dos nossos leitores sabem que este é um blog eclético. Traz política, mas também traz postagens jurídicas, outro campo da política.
Algum tempo atrás fiz duas postagens dando conta que o STF havia atacado, por meio de decisão que considero equivoca, mais uma vez, direitos dos trabalhadores. Uma destas postagens, era um norte apontado pelo Juiz do Trabalho e Professor, João Humberto Cesário.
Clique aqui para ver a primeira postagem e aqui para ver a outra,
Pois bem, diante de um caso concreto, o referido Juiz do Trabalho, apresenta tese jurídica capaz de garantir a responsabilidade do ente público pelos créditos trabalhistas, sem contrariar formalmente a decisão do STF.
Aos advogados, juízes, promotores, estudantes que freqüentam o blog, a sentença vale à pena ser lida e estudada.
Para tanto ela segue abaixo em sua integralidade:
Adriano Espíndola Cavalheiro
Em tempo: As prisões políticas que os 13 manifestantes do Rio sofreram foram revogadas. Todo o tipo de constrangimento os companheiros foram submetidos, inclusive, tortura psicológica manifestada na transferência para presídios mesmo ausente condenação e raspagem dos cabelos dos presos do sexo masculino, um dia após a prisão. Estou contactando o amigo Aderson do Rio de Janeiro, advogado dos companheiros, para tomar notícias. Certamente vamos interpor ação por danos morais, entre outras, caso. Em breve volto falar do assunto noutro post.
Abraços do Adriano
Abaixo a sentença do Professor João Humberto
=-=-=-=-=-=-
PODER JUDICIÁRIO FEDERAL
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 23ª REGIÃO
7ª VARA DO TRABALHO DE CUIABÁ – MT
Aos vinte e um dias do mês de março do ano 2.011, às 14:29 horas, na7ª VARA FEDERAL DO TRABALHO DE CUIABÁ – MT, por determinação do Juiz JOÃO HUMBERTO CESÁRIO, foi aberta a sessão de julgamento relativa ao processo nº 0151200-23.2010.5.23.0007, no qual contendemANICETO PEREIRA DA SILVA (REQUERENTE), MFR CONSTRUÇÕES CIVIS LTDA (1º REQUERIDO) e ESTADO DE MATO GROSSO (2º REQUERIDO). Observada a praxe, o processo foi submetido a julgamento, sendo prolatada a seguinte sentença.
I - RELATÓRIO
ANICETO PEREIRA DA SILVA (REQUERENTE) ajuizou a presente Ação Trabalhista em face de MFR CONSTRUÇÕES CIVIS LTDA (1º REQUERIDO) e ESTADO DE MATO GROSSO (2º REQUERIDO).
Formulou, face aos fatos e fundamentos expendidos, os pedidos elencados no libelo. Colacionou documentos.
Regularmente citado (fls. 40), o 1º requerido não compareceu à audiência, pelo que a sua revelia foi decretada (fls. 41).
Igualmente citado, o 2º requerido compareceu à audiência, na qual apresentou resposta oral na forma de contestação, cingindo-se a aviventar matéria de direito, arrimada, primordialmente, nos fundamentos da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 16 (fls. 41).
Encerrada a instrução processual sem a produção de prova oral (fls. 41).
Este, no que importa, o relatório.
Cuidadosamente vistos e examinados, decido.
II – FUNDAMENTAÇÃO
MÉRITO
1- REVELIA DO 1º REQUERIDO: NÃO INCIDÊNCIA DA CONFISSÃO FICTA
Ainda na primeira sessão da audiência, como já visto no relatório, considerei o 1º requerido revel (inteligência conjugada dos artigos 844 da CLT e 319 do CPC).
No episódio vertido, contudo, a revelia não induz ao seu efeito comum de reputarem-se verdadeiros os fatos afirmados pelo autor na petição inicial, na medida em que um dos litisconsortes passivos apresentou resposta (artigo 320, I, do CPC).
2- INÉRCIA DO SEGUNDO REQUERIDO: AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECIFICADA DOS FATOS
Como já explicitado no relatório, o 2º requerido, quando da veiculação da sua contestação, limitou-se a aviar matéria de direito, calcada, fundamentalmente, nos termos da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 16 (fls. 41).
Ao agir de tal modo, com efeito, não se desvencilhou do ônus da impugnação especificada dos fatos (artigo 302 do CPC).
De tal arte, uma vez somada as suas limitações defensivas à contumácia contestatória do 1º requerido (que como já visto é revel), não posso chegar a presunção diversa, a não ser a de considerar como verdadeiros - por incontroversos - todos os fatos articulados na petição inicial, já que no episódio à balha não enxergo como presentes quaisquer das possibilidades elidentes elencadas nos incisos I, II e III do artigo 302 do CPC.
Combato, desde já, qualquer assertiva no sentido que haveria que incidir à espécie o inciso I do artigo 302 do CPC, sob o infundado argumento de que em sendo o direito da Fazenda Pública indisponível, não seria possível operar-se a seu respeito a confissão (artigo 351 do CPC c/c artigo 302, I, do CPC).
Há de se notar, a propósito, que a Orientação Jurisprudencial nº 152 da SDI-1 do TST estabelece que no Processo do Trabalho a Pessoa Jurídica de Direito Público sujeita-se à revelia.
É bem verdade que o aludido verbete não chega a ser demasiado esclarecedor, pois a Fazenda Pública também pode ser revel no Processo Civil.
A questão primordial para o desate do imbróglio, assim, é a de saber se da revelia do Estado deflui o efeito da confissão ficta (ao contrário do que ocorre no Processo Civil), já que se a resposta for afirmativa, o artigo 302, I, do CPC não será capaz de socorrer o 2º requerido.
Relativamente ao tema, tive a oportunidade de manifestar-se no meu livro Provas e Recursos no Processo do Trabalho, fazendo-o nos seguintes termos:
A questão é das mais polêmicas. A celeuma possui origem no artigo 841 do Código Civil, a dizer que “só quanto a direitos patrimoniais de caráter privado se permite a transação”. Assim é que a confissão, rendendo ensejo, a bem da verdade, à disposição de direitos, equivaleria, em última razão, quando protagonizada pela Fazenda Pública, a uma transação incidente sobre direitos patrimoniais de caráter público, em nítida afronta à regra do artigo 841 do codex. O antedito raciocínio é reforçado, ademais, pela dicção do artigo 320, II, do CPC, a vaticinar que a revelia não induz ao efeito da confissão ficta, quando o litígio versar sobre direitos indisponíveis.
(...)
O Tribunal Superior do Trabalho, de seu lado, visando pôr cobro à discussão, editou a OJ nº 152 da SDI-1, vazada da seguinte forma: “Revelia. Pessoa Jurídica de Direito Público. Aplicável. Pessoa jurídica de direito público sujeita-se à revelia prevista no artigo 844 da CLT.”
Com todo o respeito, o mencionado verbete quase nada explica. A questão central no debate não é a possibilidade da Fazenda Pública ser considerada revel. É óbvio que uma vez ausentes à audiência em que deveriam apresentar resposta, as pessoas jurídicas de direito público devem ser tomadas por revéis. A debate central, na verdade, é aquele alusivo aos efeitos gerados pela revelia. Pode, nesses casos, a Fazenda Pública ser considerada como fictamente confessa em relação à matéria fática?!
Em verdade o que o Tribunal Superior do Trabalho desejou, mas na prática não conseguiu com o seu verbete sumular, foi responder afirmativamente a aludida pergunta. Uma analise mais aprofundada dos seus julgados demonstra, que no entender do TST, uma vez ausente à audiência em que deveria apresentar resposta, a Fazenda Pública, além de revel, será considerada fictamente confessa quanto à matéria fática. Colaciono, a propósito, algumas ementas:
RECURSO DE REVISTA. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. DIREITOS INDISPONÍVEIS. CONFISSÃO DO PREPOSTO. EFICÁCIA. Tratando-se a revelia de circunstância processual muito mais drástica no processo do trabalho, justamente em face dos seus efeitos relativamente ao julgamento antecipado da lide e a presunção de veracidade dos fatos articulados na inicial, a confissão real de aspecto fático pelo preposto da municipalidade, como no caso, não se constitui em óbice à eficácia deste meio de prova. Ao equiparar-se ao empregador comum contratando pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho, despe-se o órgão da administração pública do -jus imperii- que lhe é inerente nas relações sob o regime administrativo. Aplicação analógica da OJ nº 152 da SBDI-1 desta Corte. Recurso de revista não conhecido.
CONFISSÃO FICTA. ENTE PÚBLICO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É entendimento pacífico nesta Corte que se aplica ao ente público que contrata empregados pelo regime da CLT a pena de confissão ficta, uma vez que, nessa hipótese, ele se equipara ao empregador comum. Recurso de revista não conhecido.
AGRAVO DE INSTRUMENTO - PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO - CONFISSÃO FICTA - ENUNCIADOS Nº 333 E 126/TST O Tribunal Regional do Trabalho afirmou aplicável a pena de confissão às pessoas jurídicas de direito público, consoante Orientação Jurisprudencial nº 152 da SBDI/TST. Incidência do Enunciado nº 333/TST. Por outro lado, o reexame dos motivos que ensejaram a aplicação da pena encontra óbice à revisão no Enunciado n° 126 desta Corte. Agravo a que se nega provimento. (CESÁRIO, João Humberto. Provas e Recursos no Processo do Trabalho. São Paulo: LTr, 2010, p. 64, 65 e 66)
Vê-se, pois, que aquilo que o Tribunal Superior do Trabalho quis verdadeiramente dizer, consoante se extrai do escólio retro transcrito, é que a Fazenda Pública pode confessar - seja de maneira ficta ou real - no Processo Trabalho.
Não há espaço aqui, portanto, para a incidência do artigo 302, I, do CPC.
Em decorrência, tenho os fatos narrados na exordial como verdadeiros (vez que incontroversos), para considerar que o reclamante foi admitido pelo 1º requerido em 09.06.2008; exercia a função de pedreiro; recebia salário mensal de R$700,00; foi dispensado sem justa causa em 25.12.2008; não teve a sua CTPS anotada; não teve o seu FGTS depositado na constância do pacto laboral; não recebeu até a presente data as suas verbas rescisórias; não recebeu no ato da dispensa as guias do seguro desemprego; sempre trabalhou nas dependências e em benefício do 2º requerido.
3 – CONDENAÇÃO DO 1º REQUERIDO
Por corolário lógico de tudo o quanto antes foi alinhavado, passo a deliberar:
3.1 – Acolho o pedido de natureza cognitiva executiva lato sensu formulado pelo autor, para determinar que a Secretaria da Vara proceda à anotação da sua CTPS (artigo 39 da CLT, §§ 1o e 2o da CLT), para nela constar os seguintes dados funcionais: admissão em 09.06.2008; dispensa em 25.12.2008; salário mensal de R$700,00 e função de pedreiro.
3.2 – Acolho todos os pedidos de índole condenatória, para condenar o 1º requerido a pagar ao requerente, com correção monetária e juros de mora ex lege, no prazo de 15 dias contados do trânsito, sob as cominações do artigo 475-J do CPC, as seguintes verbas e valores: aviso prévio indenizado (R$700,00); 08/12 de 13º salário (R$466,66); 08/12 de férias + 1/3 (R$620,65); FGTS de todo o período trabalhado (R$365,86); multa de 40% do FGTS (R$146,34); multa do artigo 477 da CLT (R$700,00); incidência do percentual de 50%, previsto no artigo 467 da CLT, nas verbas rescisórias de sentido estivo – Aviso Prévio Indenizado, 13º salário proporcional; férias proporcionais + 1/3 e multa de 40% do FGTS (R$1.013,48).
3.3 – Acolho o pleito mandamental, para ordenar ao 1º requerido que entregue ao vindicante, no prazo de 15 dias após o trânsito em julgado da presente, as guias CD/SD relativas ao seguro-desemprego, sob pena de, em não o fazendo, ou no caso de restar obstada a percepção do benefício por sua culpa exclusiva, converter-se, oportunamente, a obrigação de fazer ora determinada, em obrigação de indenizar as perdas e danos, ex vi dos artigos 927 do Código Civil e 633 do codex adjetivo comum.
4 – RESPONSABILIZAÇÃO DO 2º REQUERIDO
O requerente, na inicial, pugna pela responsabilização do 2º requerido, a fim de imprimir maiores garantias de satisfação ao seu crédito.
Na sua defesa, como já pontuado, o 2º réu, basicamente, asseverou que não seria o caso de responsabilizá-lo, em virtude do decidido pelo Supremo Tribunal Federal no bojo da ADCnº 16, que, em síntese, confirmou a constitucionalidade do artigo 71, § 1º, da Lei 8.666-1993 (Lei de Licitações).
Uma vez delineada a celeuma em tela, passo a desafiar o repto que me foi lançado.
A decisão emanada do órgão de cúpula do Poder Judiciário brasileiro - não mais importando se correta ou equivocada - merece todo o respeito e deve ser disciplinadamente cumprida, tendo em vista o seu efeito vinculante (artigo 102, § 2º, da CRFB).
Tal obviedade, entrementes, não exime o Magistrado da tarefa de compreendê-la adequadamente, de modo a encontrar o seu exato sentido, demarcando, de tal arte, os seus contornos, limites e possibilidades.
Assim é que para a desincumbência da tarefa que se me apresenta, acredito ser imprescindível, antes de tudo, transcrever as palavras do Ministro Cezar Peluso, digníssimo Presidente do Supremo Tribunal Federal, sobre a matéria.
Disse Sua Excelência ao comentar o decidido:
“Isso não impedirá o TST de reconhecer responsabilidade, com base nos fatos de cada causa. O STF não pode impedir o TST de, à base de outras normas, dependendo das causas, reconhecer a responsabilidade do poder público”.(Fonte: Sítio eletrônico do STF -www.stf.jus.br -, consultado em 12.12.2010, às 16:43 h, horário de Mato Grosso)
Consoante se percebe, o esclarecimento realizado pelo Presidente do STF, ao remeter o Juiz do Trabalho a outras normas além daquela prevista no artigo 71, § 1º, da Lei 8.666-1993, abre margem, a mancheias, para o chamado diálogo das fontes jurídicas.
Sobre a teoria do diálogo das fontes, preconizada originalmente pelo jurista alemão Erik Jayme, e desenvolvida entre nós pelos professores Cláudia Lima Marques e Valerio de Oliveira Mazzuoli, tenho por bem em transcrever a preleção deste último (em parceria como Luiz Flávio Gomes), que muito embora tenha sido formatada com os olhos pousados na interação do Direito Internacional com o Direito Interno, calha justa para que se debate o nó em questão (feitas, naturalmente, as necessárias adaptações):
“Sabe-se que, historicamente (nos sistemas jurídicos da civil law), foi a positivação dos direitos e garantias fundamentais que conferiu segurança ao ser humano, sobretudo frente ao Estado. No Estado de Direito constitucional e internacional os direitos, liberdades e garantias acham-se contemplados em vários níveis: legal, constitucional e internacional.
Tornou-se inconcebível, destarte, estudar (e conhecer) unicamente o plano da legalidade, que só retrata uma parte do direito vigente e não resolve os problemas jurídicos de maneira satisfatória. Saber tudo que nos diz a legislação ordinária (sobre um determinado direito) é necessário (não há dúvida), mas atualmente é insuficiente. Especialmente no que se refere às normas de direitos humanos, considerando-se o princípio internacional pro homine, impõe-se ao intérprete e aplicador considerar todas as regras relacionadas com o direito que está em debate ou em consideração.” (MAZZUOLLI, Valerio de Oliveira & GOMES, Luiz Flávio. Direito Supraconstitucional: Do absolutismo ao Estado Constitucional e Humanista de Direito. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2010, p. 120)
Se me fosse permitido parafrasear os professores Valerio de Oliveira Mazzuoli e Luiz Flávio Gomes, a minha cabeça por certo produziria o seguinte vaticínio:
Saber o que diz um único artigo de Lei - no caso o artigo 71, § 1º, da Lei 8.666-1993 - é necessário mas insuficiente. No que se refere a normas de direitos humanos, tais como aquelas de natureza tuitiva que distinguem o Direito do Trabalho dos outros ramos jurídicos, impõe-se ao julgador considerar todas as regras relacionadas com o tema que está em consideração, de modo que as decisões judiciais reflitam uma solução extraída do imprescindível diálogo das fontes jurídicas.
Nesta perspectiva, parece-me que o artigo 71, § 1º da Lei de Licitações deverá ser interpretado em perspectiva lógico-sistemático-teleológica com vários outros preceitos de interesse para o deslinde do embate que se encontra sob a minha reitoria, mormente em consonância com os seguintes dispositivos:
-
artigo 37, caput, § 6º, da Constituição (princípios da legalidade e da moralidade; responsabilidade objetiva do Estado pelos danos que os seus agentes causarem a terceiros);
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artigos 186, 187 e 927 do Código Civil (ato ilícito; abuso de direito; reparação civil decorrente de atos ilícitos);
-
artigo 186 do Código Tributário Nacional (regime preferencial dos créditos trabalhistas e dos créditos decorrentes de acidentes do trabalho);
-
artigos 27 e 55 da Lei de Licitações (fiscalização da qualificação econômico-financeira e da regularidade fiscal da terceirizada na habilitação para a Licitação; fiscalização da manutenção das condições de habilitação durante toda a execução do contrato).
O fundamental aqui, de tal arte, é compreender-se que o artigo 71, § 1º da 8.666-93, embora constitucional, deverá ser analisado à luz da teoria do diálogo das fontes.
Vale dizer, com efeito, que a questão não poderá ser solucionada a partir da aplicação isolada e restritiva do prefalado artigo 71, § 1º, da 8.666-93 como querem os membros da advocacia pública.
O aludido preceito legal, neste diapasão, haverá de ser encarado de maneira menos concentrada (mais difusa, por assim dizer), a partir de uma leitura dialogada com vários outros preceptivos, que seja hábil à estruturação de uma resposta amplificada para o imbróglio.
A pura e simples constitucionalidade do artigo 71, § 1º, da 8.666-93, nesta perspectiva, não se constitui em entrave para a condenação do Estado ao pagamento de créditos trabalhistas inadimplidos pelas suas terceirizadas.
Dito de outro modo, pode-se afirmar que a inteligência do multicitado artigo 71, § 1º, da 8.666-93 deverá ser alargada pelo aplicador do direito, que promoverá o seu diálogo permanente com os artigos 37, caput, § 6º da Constituição da República, 927 do Código Civil e 27 e 55 da Lei de Licitações, dentre outros.
Não há dúvidas, dessarte, que a Justiça do Trabalho pode perfeitamente - sem com isso maltratar a dicção do decidido pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito da Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 16 - condenar a Fazenda Pública ao pagamento subsidiário (ou mesmo solidário) de créditos trabalhistas inadimplidos pelas empresas terceirizadas, naqueles contextos em que a administração pública não venha a demonstrar que tenha cumprido todos os deveres que o ordenamento jurídico lhe impõe.
Parece-me ser esta, aliás, justamente a hipótese que se apresenta viva no caso vertido, onde o 1º requerido pública e notoriamente fechou as suas portas em situação de inadimplência quanto aos créditos trabalhistas dos seus empregados, sem que o segundo requerido (Estado de Mato Grosso) comprovasse em juízo a imperiosa fiscalização da sua qualificação econômico-financeira e regularidade fiscal (lembre-se, v.g., da natureza fiscal dos créditos fundiários), malferindo assim, a mais não poder, a obrigação que lhe impõe o artigo 55 da Lei 8.666-1993.
Nem se argumente que seria ônus do requerente comprovar que o 2º requerido (Estado de Mato Grosso) deixou de exercitar o seu dever fiscalizatório.
Vale ressaltar, a propósito, que nestas situações o encargo probatório será sempre dirigido ao Poder Público, em face do que dispõe o princípio processual da aptidão para a prova.
Sobre a aludida regra de distribuição dinâmica (não-estática) do ônus da prova, afigura-se-me de bom alvitre transcrever mais um breve excerto do meu livro Provas e Recursos no Processo do Trabalho:
É fundamental saber que relativamente à distribuição do ônus da prova a legislação de regência traça tão-somente diretrizes gerais para a orientação básica dos atores processuais. Assim é que a atenuação dessas diretivas, fundada no princípio da aptidão para a prova, vem a cada dia ganhando destaque no foro trabalhista.
Dito de outro modo, enquanto os artigos 818 da CLT e 333 do CPC disciplinam a distribuição estática do ônus da prova, a práxis forense preconiza a repartição dinâmica do encargo probatório, para que por via dela se evitem julgamentos injustos, nos quais uma parte, não obstante possuir razão em uma contenda, veja inviabilizada a obtenção do bem da vida perseguido judicialmente, em virtude da impossibilidade de produzir uma prova para ela difícil, improvável ou mesmo impossível (probatio diabolica), enquanto que a contraprova do seu adversário seria de tranqüila veiculação.
(...)
Dessarte, numa perspectiva menos dogmática e mais racional, o juiz deverá, em algumas situações emblemáticas, atribuir o ônus da prova àquela parte que esteja em melhores condições de produzi-la, independentemente do balizamento dos artigos 818 da CLT e 333 do CPC. (Op. cit., p. 46 e 47)
Diante de todo o exposto, parece-me elementar, a esta altura da fundamentação, que responsabilização do 2º requerido se mostra recomendável. Resta-me tão-somente definir se ela se dará na modalidade subsidiária ou solidária.
Friso, de antemão, que o fato do requerente ter pugnado pela condenação subsidiária do 2º réu não me impede de atribuir-lhe a responsabilização solidária, pois que o pleito, a bem da verdade, é de mera responsabilização, incumbindo ao Estado-Juiz, no momento da subministração da Jurisdição, conformá-la ao preceituado pela legislação de regência.
Feita esta breve mas imprescindível digressão prévia, devo pontuar, agora, que me parece ser o caso de condenar o 2º vindicado a suportar solidariamente o pagamento dos créditos trabalhistas reconhecidos ao obreiro.
Ocorre que o artigo 942 do Código Civil é indene de dúvidas ao preceituar que se a ofensa tiver mais de um autor, todos responderão solidariamente pela reparação.
Consoante se percebe, a inteligência do preceptivo em questão calha justa para a resolução da contenda posta, na medida em que a desídia fiscalizatória do 2º requerido à toda evidência colaborou para que o 1o requerido burlasse a obrigação legal de pagar os créditos alimentares a que faz jus o requerente.
Em sendo assim, condeno o Estado de Mato Grosso a suportar solidariamente o pagamento dos créditos com expressão pecuniária reconhecidos ao obreiro ao longo da presente sentença, inclusive no que diz respeito às conversões em perdas e danos que resultarem do não cumprimento da obrigação de fazer concernente à entrega das guias CD/SD do seguro-desemprego.
Aclaro, por fim, que as alegações do 2º requerido relativas à não incidência dos ditames alusivos aos artigos 467, 477 da CLT e multa fundiária, bem como do estabelecimento de juros de mora em 0,5% ao mês não podem lhe beneficiar, na medida em que no caso se está diante de mera responsabilização solidária, que, portanto, não se amolda propriamente aos desígnios de uma condenação direta.
III – DISPOSITIVO
Assim sendo, resolvo, na Ação Trabalhista nº nº 0151200-23.2010.5.23.0007, na qual contendem ANICETO PEREIRA DA SILVA (REQUERENTE), MFR CONSTRUÇÕES CIVIS LTDA (1º REQUERIDO) e ESTADO DE MATO GROSSO (2º REQUERIDO):
1 - Acolher o pedido de natureza cognitiva executiva lato sensu formulado pelo autor, para determinar que a Secretaria da Vara proceda à anotação da sua CTPS (artigo 39 da CLT, §§ 1o e 2o da CLT), para nela constar os seguintes dados funcionais: admissão em 09.06.2008; dispensa em 25.12.2008; salário mensal de R$700,00 e função de pedreiro. Para tanto, o obreiro fica intimado, desde já, a apresentar a sua CTPS na Secretaria da Vara, no prazo de cinco dias, contados a partir do trânsito.
2 – Acolher todos os pedidos de índole condenatória, para condenar o 1º requerido, com responsabilidade solidária do 2º requerido, a pagar ao requerente, com correção monetária e juros de mora ex lege, no prazo de 15 dias contados do trânsito, sob as cominações do artigo 475-J do CPC, as seguintes verbas e valores: aviso prévio indenizado (R$700,00); 08/12 de 13º salário (R$466,66); 08/12 de férias + 1/3 (R$620,65); FGTS de todo o período trabalhado (R$365,86); multa de 40% do FGTS (R$146,34); multa do artigo 477 da CLT (R$700,00); incidência do percentual de 50%, previsto no artigo 467 da CLT, nas verbas rescisórias de sentido estivo – Aviso Prévio Indenizado, 13º salário proporcional; férias proporcionais + 1/3 e multa de 40% do FGTS (R$1.013,48).
3 – Acolher o pleito mandamental, para ordenar ao 1º requerido que entregue ao vindicante, no prazo de 15 dias após o trânsito em julgado da presente, as guias CD/SD relativas ao seguro-desemprego, sob pena de, em não o fazendo, ou no caso de restar obstada a percepção do benefício por sua culpa exclusiva, converter-se, oportunamente, a obrigação de fazer ora determinada, em obrigação de indenizar as perdas e danos, ex vi dos artigos 927 do Código Civil e 633 do codex adjetivo comum, pela qual o 2º requerido responderá solidariamente.
Desnecessária a indicação da modalidade de liquidação, haja vista que líquida a sentença.
Tudo nos termos da fundamentação, que passa a fazer parte do presente dispositivo, para todos os fins que se fizerem necessários.
Ao requerente, os benefícios da Justiça Gratuita, haja vista que presentes os requisitos do § 3o do artigo 790 da CLT.
Para efeitos do § 3o, do artigo 832 da CLT, declaro que a parcela “08/12 de 13º salário” possui natureza salarial, sendo devidos os recolhimentos previdenciários que lhe são pertinentes, a cargo das respectivas partes, observadas as regras legais atinentes, bem como o provimento 01/96 da e. Corregedoria do TST, inclusive para efeitos de imposto de renda.
O 1ª requerido deverá proceder ao recolhimento das contribuições sociais previstas no artigo 195, I, ‘a’ e II da CRFB, no prazo de 15 dias após o trânsito em julgado da presente, sob pena de execução de ofício (artigo 114, VIII, da CRFB), com responsabilização solidária do 2º requerido.
Custas pelo 1º requerido, no importe de R$80,25, calculadas sobre R$4.012,99, valor histórico da condenação, pela qual o 2º requerido responderá solidariamente (no caso, em não sendo direta a condenação, não há que se falar na incidência do disposto no artigo 790-A, I, da CLT).
Notifiquem-se.
Desnecessária a remessa de ofício (S. 303 do TST).
Juiz JOÃO HUMBERTO CESÁRIO
P.s.: A presente publicação é feita com objetivo unicamente cientifico, não possuindo, assim, caráter jurisdicional oficial.
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Saturday, March 19, 2011
OBAMA NO BRASIL: Declaração pública do PSTU sobre a repressão no ato do Rio – ABAIXO ASSINADO PELO LIBERTAÇÃO DOS PRESOS POLÍTICOS
0 comments Posted by barongan at 7:15 AMClique aqui para acessar abaixo assinado eletrônico pelo liberatação dos presos politicos
Veja ao final do texto abaixo, vídeo mostrando que os militantes do PSTU foram atacados pela polícia.
Adriano Espíndola
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Diante do protesto desta sexta-feira, contra a visita de Obama e a violenta repressão policial, o PSTU vem a público declarar que:
1 – O ato pacífico foi organizado pela CSP-Conlutas, pela Assembleia Nacional dos Estudantes-Livre - ANEL e por diversos sindicatos.
2 – O protesto faz parte de uma jornada nacional, que inclui atos em outras cidades e tem como objetivo denunciar a visita de Obama, a entrega do petróleo, os acordos de livre comércio com o governo brasileiro. Também pretende apoiar a revolução árabe e denunciar os ataques do imperialismo aos povos do mundo, como no Iraque, e que agora se repete na Líbia.
3- O PSTU apoiou o protesto e participou ativamente de sua organização. Durante a semana, o partido tem realizado várias ações contra a visita de Obama, com milhares de cartazes e até faixas em um avião que circula pelos céus do Rio de Janeiro.
4 – Desde as 16h, horário marcado para a concentração, os policiais demonstravam que não tolerariam o protesto. Chegaram a impedir a entrada de um carro de som na Candelária e não queriam deixar que a caminhada seguisse pela Av. Rio Branco.
5 – Apenas depois de uma longa negociação, de quase duas horas, a passeata pôde deixar a Candelária. No momento, já somavam 400 pessoas, inclusive muitas crianças. A passeata foi aplaudida ao longo da Av. Rio Branco, demonstrando que o apoio à visita não é unâmime.
6 – O acordo com o comando policial previa que a passeata seguiria até o Consulado dos EUA, onde seria feito apenas um ato simbólico, seguindo até a Cinelândia. O objetivo era ocupar a praça, símbolo de resistência à ditadura militar, e que Obama tentou usar agora como palco para seu discurso.
7 – Em frente ao Consulado, o ato iniciou com discursos, palavras de ordem. Simbolicamente, sapatos foram atirados contra uma bandeira dos Estados Unidos, repetindo um gesto comum nas revoltas árabes.
8 – No momento em que estavam reunidos em um grande círculo, os manifestantes e os jornalistas escutaram uma explosão ao fundo e foram surpreendidos com o avanço da polícia, que atacou com cassetetes, atirou com balas de borracha e lançou bombas de gás e depois perseguiu os manifestantes pelas ruas vizinhas. As cenas desse momento foram gravadas por manifestantes e estão em nosso site.
9 – Dezenas de pessoas ficaram feridas e entre 12 e 15 manifestantes foram presos. Entre eles, um estudante, menor de idade. Até as 22h, ninguém havia sido solto.
10 – A polícia declarou que coqueteis molotov foram jogados contra os policiais, atingindo um segurança do Consulado. Sobre isso, declaramos que nem o PSTU e tampouco qualquer uma das entidades que organizaram o ato concordam ou apoiam atitudes como essa no ato, convocado como uma manifestação totalmente pacífica.
11 – Este espírito pacífico era compartilhado pelos manifestantes. Entendemos que transformar a passeata em uma batalha apenas favoreceria o imperialismo, evitando que se discuta as verdadeiras intenções da visita. Neste sentido, desconhecemos os autores do ataque e queremos vir a público declarar nossa desconfiança de que provocadores tenham se infiltrado no ato, com esse objetivo.
12 – Os artefatos lançados não justificam a reação completamente desproporcional da polícia do governador Sérgio Cabral, que agiu atacando e prendendo a esmo. A selvageria se seguiu por várias horas, com policiais perseguindo manifestantes pelas ruas próximas a Cinelândia, revistando e prendendo sem provas.
13 – A ação policial derruba por terra qualquer respeito à liberdade e os direitos humanos e indica uma criminalização dos protestos, ao melhor estilo dos Estados Unidos. Um exemplo foi dado na delegacia, quando policiais exibiram suas “apreensões”: uma garrafa de cerveja que teria sido usada como parte de um coquetel molotov e um soco inglês. Para que a imprensa fotografasse, foi colocada uma bandeira e um cartaz do PSTU, atribuindo responsabilidade sobre os ataques. Desde quando uma bandeira, um símbolo de um partido político pode ser apresentado como algo criminoso?
14 – Exigimos uma investigação e uma resposta do governador Sergio Cabral e de seus secretários de Segurança e de Direitos Humanos sobre os fatos desta sexta-feira. Imediatamente, exigimos a libertação de todos os presos, principalmente o menor de idade, que, pela lei, não poderia estar em uma delegacia policial.
15 – Por último, o PSTU afirma que não deixará de protestar contra os Estados Unidos por conta dos ataques da polícia de Sergio Cabral. Continuaremos nas ruas, e nosso próximo ato será no domingo, às 10h, no Largo do Machado. Convocamos todos a participarem deste ato, e transformar esse dia em um grande repúdio à violência de hoje e a criminalização dos que lutam.
Rio de Janeiro, 18 de março de 2011
PARTIDO SOCIALISTA DOS TRABALHADORES UNIFICADO
www.pstu.org.br
VEJA O VÍDEO DO MOMENTO DO ATAQUE DA POLÍCIA
Labels: direitos humanos, Governo Dilma, imperialismo, mobilizações, PSTU
Friday, March 18, 2011
Declaração do PSTU contra a visita de Obama ao Brasil
Direção Nacional do PSTU
Obama vem ao Brasil no momento em que o Conselho da ONU autoriza a intervenção militar do imperialismo sobre a Líbia. Muitos têm expectativas em Obama e também nessa ação militar contra o genocida Kadafi.
O PSTU quer alertar todos os trabalhadores e jovens brasileiros que essas esperanças são infundadas. Está vindo ao Brasil a nova cara do imperialismo, um Bush disfarçado de negro, mas exatamente com as mesmas más intenções.
Nós lutamos contra o ditador Kadafi. Esse genocida está bombardeando populações civis, repetindo os atos de Israel contra os palestinos. Os setores da esquerda que sustentam Kadafi, como Castro e Chávez, estão completamente enganados e terminam por sujar suas mãos com o sangue do povo líbio.
Mas a intervenção militar do imperialismo não é para ajudar o povo líbio. Obama, assim como os governos europeus quer, controlar diretamente o petróleo líbio e acabar com a guerra civil. Kadafi, que entregou o petróleo ao imperialismo, não é mais uma garantia segura, porque existe uma guerra civil. Quando Kadafi massacrava o povo, mas não existia ainda um levante contra ele, o governo Obama (assim como Berlusconi e Sarcozy) o apoiava.
O imperialismo apoia todas as ditaduras no mundo árabe contra as quais se enfrenta a revolução em curso, como a Arábia Saudita, Bahrein, Jordânia, Iêmen. Obama, junto com seu aliado Mubarak, foi derrotado pelo povo egípcio rebelado. Caso consiga controlar a Líbia, vai instalar outra ditadura que lhe garanta o controle do petróleo.
Existe hoje uma guerra do povo líbio contra o ditador Kadafi. Com a intervenção militar imperialista, deve haver duas guerras: uma contra Kadafi e outra contra o imperialismo. Chamamos o povo rebelado contra Kadafi na Líbia a não depositar nenhuma esperança e não dar nenhum apoio à intervenção imperialista.
Nós rejeitamos a presença de Obama, o novo senhor da guerra, no Brasil. Ele vem aqui para substituir a imagem desgastada do governo dos EUA pela figura de Bush. Vai querer se apropriar das reservas de petróleo do pré-sal que o governo Dilma já está lhe oferecendo. Vai querer avançar o “livre comércio”, que significa maior abertura para as multinacionais norte-americanas. Ou seja, vai cumprir exatamente a mesma pauta que Bush faria, só que agora com uma face mais “simpática”.
Obama já mostrou, nos EUA, que não cumpre nenhuma de suas promessas eleitorais. O desemprego segue fortíssimo, atingindo em primeiro lugar os negros. Não foi por acaso que Obama acaba de ser derrotado nas eleições legislativas em seu país. Não deixemos que siga nos enganando no Brasil.
O governo Dilma recebe Obama para abrir ainda mais as portas do país para o imperialismo. Segue cumprindo um papel de ponto de apoio do governo dos EUA na América Latina pela indigna ocupação militar do Haiti, a serviço das multinacionais.
Exigimos ao governo Dilma que:
Labels: Governo Dilma, imperialismo, oriente médio, PSTU
Wednesday, March 16, 2011
Uma sugestão do amigo Fon, da Renap (Rede de Advogados e Advogadas Populares), para recepção de Obama no Brasil (cartum do igualmente amigo CArlos Latuff):
“Quando Eisenhower veio ao Brasil, a palavra de ordem foi ‘Yankees Go Home!"’
Quando o Bush veio ao Brasil, a palavra de ordem foi ‘Fora Bush’.
Talvez, agora, pro Obama pudéssemos ser mais diretos ‘Ei, Obama, vai tomar no cu!’ e ‘Obama, fuck off!’.”
Labels: imperialismo
Tuesday, March 1, 2011
Segue forte o processo revolucionário na Líbia, estando o renegado do imperialismo Kadafi a cada dia sofrendo novas derrotas.
Para tentar manter favorável aos seus interesses a situação, caso Kadafi venha de fato a sucumbir, hipótese mais provável, o imperialismo mundial, com o EUA batendo seus tambores de guerra, se movimente, colocando abertamente a necessidade de intervenção direta na Líbia, uma reedição do que assistimos no Iraque.
Na Líbia, entretanto, a situação difere do Iraque, pois tem-se o povo na ruas, em enfrentamento militar com forças governitas, o que pode levar dificultar a invasão da Líbia por tropas militares do imperialismo.
“Isto não significa, no entanto, que todos os que participam da luta tenham os mesmos interesses ou pensem nas mesmas medidas para quando, depois da queda de Kadafi, se tenha que construir o novo poder para a nova Líbia. Para defender seus interesses, os trabalhadores necessitam de uma organização independente dos burgueses de sua própria direção, com um norte estratégico de impor um governo dos organismos dos trabalhadores e do povo, apoiado no armamento geral da população.
Esse governo dos trabalhadores e do povo, destinaria os recursos do país a atender às necessidades mais urgentes do povo e reconquistar a independência do país, expulsando as multinacionais que Kadafi permitiu que regressassem à Líbia. Tarefas que só poderão ser cumpridas em unidade com os trabalhadores e os povos de toda a região.”
Veja a seguir texto da LIT- QI, Liga Internacional dos Trabalhadores, sobre questão estratégica acima apontada.
Adriano Espíndola
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Líbia a sangue e fogo
GABRIEL MASSA, DA ARGENTINA*
Todo apoio aos trabalhadores e ao povo da Líbia
Em 22 de fevereiro, Muamar Kadafi falou na televisão estatal. Kadafi denunciou “jovens de 16 e 17 anos drogados (…) que assaltam estações”. Assegurou que os rebeldes e os líderes tribais e burgueses da região oriental que os incentivam são a ponta de lança de uma tentativa dos Estados Unidos de voltar a dominar o país como fazia antes de ele chagar ao poder em 1969. Chamou “ao povo (…) que ama Kadafi (…) a sair às ruas” para enfrentar os rebeldes e defender a independência do país e seu líder. É, de fato, um chamado à guerra civil contra os insurretos.
Para começar, Kadafi foi quem permitiu o regresso das petroleiras e demais multinacionais ao país e há tempos deixou de ser um líder antiimperialista.Por outro lado, o que se vê agora na Líbia em meio a sangue e fogo, não são meninos drogados, mas uma revolução que vai libertando regiões conforme avança e enfrenta um verdadeiro massacre perpetrado pelas tropas de Kadafi para conter a rebelião.
Frente à repressão, as massas se viram obrigadas a se organizar em comitês populares e se armar – em muitos casos, unidas a oficiais e soldados que desertaram com armas e bagagens – para poder continuar lutando pela queda do regime, por liberdades democráticas e por respostas à fome, ao desemprego e aos baixos salários.
Em Trípoli, segue a luta
O jornal espanhol El País descreveu em 21 de fevereiro a rebelião em Trípoli:“Várias agências informam que alguns edifícios governamentais da capital líbia estavam em chamas esta manhã e que as sedes da televisão e da rádio públicas foram saqueadas e queimadas por uma máfia enfurecida na madrugada passada. ‘A Casa do Povo (Parlamento) está em chamas; os bombeiros tratam de apagar o fogo’, explicou uma testemunha citada pela Reuters. Al Jazeera informa que a sede central do Governo líbio e o edifício que abriga o Ministério da Justiça em Trípoli também foram incendiados’.”
O El País também descreve a repressão: “‘O que estamos presenciando hoje é inimaginável. Aviões e helicópteros militares estão bombardeando um bairro após o outro’, assegurou Adel Mohamed Saleh, um homem que se declara ativista anti-Kadafi. Segundo Saleh, contatado por telefone pela Reuters, os bombardeios acontecem a ‘cada 20 minutos e estão produzindo ‘muitíssimos mortos’ (pelo menos 250 pessoas morreram segundo a rede Al Jazeera).”Informes posteriores elevaram as mortes a mais de 600.
No resto do país, comitês populares armados “libertam” cidades
Segundo o jornal italiano Corriere della Sera (22/2), “os rebeldes têm o controle de Bengasi (segunda cidade do país), Sirte, Torbruk, Misrata, Khoms, Tarhouinah, Zenten, Al-zawiya y Zouara. (…) O regime só controla Trípoli, que é onde continuam os enfrentamentos”.
O correspondente da CNN, Ben Wedeman, que conseguiu entrar na Líbia pela fronteira com o Egito, dizia: “Grupos de homens civis, com armas que vão de escopetas a metralhadoras, guardavam as ruas na Líbia oriental na segunda-feira (21/2), estando os líderes opositores em forte controle de grande parte da região. Grupos oposicionistas formaram ‘comitês populares’ para manter a ordem de algum modo depois de expulsar as tropas oficiais”.
De acordo com o El País, “Depoimentos dos dissidentes de Bengasi asseguram que os manifestantes também tomaram tanques e grandes quantidades de armas e munições do Exército segundo reconheceu, a seu modo, o filho de Kadafi no discurso. Os criminosos circulam também a bordo de blindados’, disse”.
Continua o jornalista da CNN: “Gente da Líbia oriental nos disse que centenas de mercenários da África subsaariana foram mortos ou capturados enquanto lutavam por Kadafi. Líderes opositores dizem que estão preocupados que forças pró-Kadafi possam tentar retomar a área, por isso os homens permanecem armados nas ruas”.
Enquanto isso, as forças estavam garantindo que funcionasse a eletricidade e voltasse alguma normalidade, com alguns negócios abertos nas cidades libertadas pela revolução. No entanto, as estradas ainda estavam desertas, exceto por milhares de operários egípcios que queriam fugir de seu país.
Um dissidente, Omran Mohamed Omran, declarou à imprensa espanhola que “‘em vez dos prefeitos de Kadafi, são os juízes os que dirigem e administram os povos dos revolucionários porque gozam do respeito do povo’”.
Renúncia de funcionários e divisão e deserções nas forças armadas
Conforme avança a revolução, acontecem renúncias de altos funcionários do regime. Começando pelo ministro do Interior e general do Exército, Abdel Fattah Younes al Abidi. Depois, renunciaram os ministros da Justiça e das e Emigrações.
Omran, asegura que “a divisão no Exército é um fato e vários militares se uniram ao protesto. (…) O chefe do Estado Maior do Exército líbio, Abubaker Yunas, que participou do golpe de Estado de 1969 que levou Kadafi ao poder, (…) está em prisão domiciliar. (…) Yunas pediu a Kadafi que se afastasse do poder para atender às demandas do povo, mas Kadafi respondeu que antes queimaria a terra que ele mesmo fez florecer”.
Enquanto isso, segundo Wedeman, da CNN, “um homem que se identificou como líder da resistência disse que esteve reunido com comandantes militares líbios da região, e que uma grande parte do exército se somou às forças antigoverno”.
Dois pilotos de bombardeiros líbios desertaram em Malta com seus aviões Mirage F1, na segunda, 21. Uma fonte do governo de Malta disse que os pilotos desertaram para não cumprir ordens de bombardear a população civil.
Insurreição popular com elementos avançados de duplo poder com zonas libertadas
Neste processo, acontece uma unidade de ação muito ampla contra a ditadura, da qual participam trabalhadores, setores populares e, inclusive, com a adesão de setores burgueses, mais oficiais e tropas desertoras das forças armadas, e agora se agregam, também, altos funcionários do regime. Está claro que é necessária a mais ampla unidade de ação com todos os setores, inclusive os burgueses descolados do regime, para acabar com esta ditadura genocida entrincheirada.
O fato de que a única resposta de Kadafi seja bombardear com a força aérea e enviar mercenários para atacar os rebeldes e que o mesmo diga que se “dispõe a morrer”, mostra seu desespero frente ao crescimento do bloco de oposição.
Não sabemos quanto vai durar o enfrentamento nem qual será seu resultado, ainda que neste momento a balança se incline claramente em favor das massas. Com uma insurreição na qual se fortalecem os crescentes elementos de duplo poder, inclusive com zonas libertadas que abarcam não só dez cidades, especialmente do lado oriental, mas também vários dos centros de produção e distribuição de petróleo e gás.
É evidente que a tarefa decisiva da revolução agora é derrotar as forças da ditadura em Trípoli e derrubar Kadafi. E, para isso, é fundamental unificar solidamente todas as forças sociais, políticas e militares que sustentam a luta.
Isto não significa, no entanto, que todos os que participam da luta tenham os mesmos interesses ou pensem nas mesmas medidas para quando, depois da queda de Kadafi, se tenha que construir o novo poder para a nova Líbia. Para defender seus interesses, os trabalhadores necessitam de uma organização independente dos burgueses de sua própria direção.
Nós, da LIT-QI, estamos convencidos que essa direção operária deveria ter como norte estratégico impor um governo dos organismos dos trabalhadores e do povo, apoiado no armamento geral da população, para destinar os recursos do país a atender às necessidades mais urgentes do povo e reconquistar a independência do país, expulsando as multinacionais que Kadafi permitiu que regressassem à Líbia. Tarefas que só poderão ser cumpridas em unidade com os trabalhadores e os povos de toda a região.
O povo líbio aprendeu com as revoluções da Tunísia e do Egito. Agora é a vez da insurreição Líbia tomar a dianteira da revolução árabe.
*Gabriel Massa faz parte da direção da LIT-QI
Este texto é parte da revista Correio Internacional nº 4, 2011
Labels: imperialismo, Líbia, revolução
Saturday, February 26, 2011
Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (LIT-QI)
Kadafi abriu as portas para o imperialismo e acumulou bilhões de dólares
Para entender o papel de Kadafi, são necessárias algumas referências históricas. Na decomposição do império otomano, no começo do século XX, a Líbia foi invadida pela Itália (1912), dividindo o país em duas administrações coloniais separadas: Cirenaica, no oriente, e Tripolitania, no ocidente. A Itália se manteve na região até a Segunda Guerra Mundial. Depois da guerra, o imperialismo e Stalin entram em acordo sobre a independência do país (1951) e impõem como rei Idris I, vindo das tribos cirenaicas e claramente submetido às potências imperialistas.
Em 1969, o coronel Muamar Kadafi, vindo de uma tribo beduína da região de Tripolitania, encabeça um golpe de Estado com uma ideologia nacionalista pan-árabe. Em 1977, seria fundado o Yamahiriyya (Estado de Massas) Socialista Árabe da Líbia, um regime totalitário, apoiado nas forças armadas e em acordos intertribais, mas que se une aos demais governos da região – especialmente Iraque e Síria – que repudiam os acordos de el-Sadat com os Estados Unidos e Israel.
Isto transformou o regime líbio num dos mais odiados pelo imperialismo. Em 1986, Ronald Reagan ordena o bombardeio das duas principais cidades do país, Trípoli e Bengasi. Em resposta, Kadafi promoveu uma série de atentados terroristas, incluindo, em 1988, uma bomba num avião da Pan American que explodiu sobrevoando a localidade de Lockerbie na Escócia.
Porém, em 2003, cada vez mais isolado em sua política, Kadafi fez um acordo com o imperialismo que incluiu assumir a responsabilidade pelo atentado sobre Lockerbie e uma abertura gradual das reservas líbias para as petroleiras multinacionais, entre elas Shell, British Petroleum, ENI italiana, Total francesa e a Wintershal alemã. Entre as empresas ianques estão Occidental Petroleum Corp e ConocoPhillips e Marathon Oil Corp.
A entrega deu um novo salto com os acordos de Kadafi com o governo de Berlusconi. O jornal El País (22/2/2011) informa que “desde que, há dois anos, Il Cavaliere e o Coronel firmaram o Tratado de Amizade, Associação e Cooperação, os negócios bilaterais já superam os 40 bilhões de euros anuais e alcançam todos os setores cruciais, da energia ao financeiro ou à construção, sem faltarem os acordos militares e de inteligência.”
De sua parte, Kadafi, como parte da comissão e intermediário dos investimentos imperialistas, enriqueceu de forma obscena. Kadafi possui bilhões de dólares em investimentos em empresas europeias como a Fiat.
O imperialismo voltou à Líbia pelas mãos de Kadafi
Como tantos outros regimes do Oriente Médio e do terceiro mundo em geral – na América Latina são notórias as guinadas pró-imperialistas de partidos e movimentos, como o Peronismo na Argentina, o PRI no México e o MNR boliviano –, o da Líbia, apoiado nas forças armadas, passou de adversário e da resistência ao imperialismo a transformar-se em seu agente direto.
Kadafi tem a particularidade de ter permanecido quarenta anos à frente do país, pelo qual o mesmo incorpora em sua biografia pessoal o caminho de ida e de volta nas relações com o imperialismo.
Isso poderia acontecer, inclusive, com governos que hoje têm uma forte retórica antiimperialista ou, ainda, que aplicam algumas medidas que se chocam com os interesses imediatos do imperialismo, como Chávez na Venezuela e Ortega na Nicarágua. Nesses dois regimes, já apareceram traços similares aos de Kadafi na Líbia: na Venezuela, estão as multinacionais petroleiras, em ambos países latino-americanos há uma corrupção enorme e seus governos promovem o surgimento de grupos econômicos burgueses favorecidos pelo Estado. Portanto, estes governos poderiam dar um giro pró-imperialista como aconteceu com Kadafi.
Este texto é parte da revista Correio Internacional nº 4, 2011.
fonte: Site do PSTU, clique nas letras azuis e visite.
Labels: imperialismo, Lit, Revolução Arabe
Saturday, March 6, 2010
A corrida louca para a hegemonia americana põe em perigo a vida na Terra
0 comments Posted by barongan at 9:02 AM
O Washington Times é um jornal que encara com bons olhos as guerras de agressão de Bush/Cheney/Obama/ neoconservadores no Médio Oriente e defende que se obrigue os terroristas a pagar pelo 11/Setembro. Por isso, fiquei admirado ao saber que, em 24 de Fevereiro, a notícia mais apreciada no sítio web do jornal durante os últimos três dias era a reportagem "Explosive News" , do "Inside the Beltway", sobre as 31 conferências de imprensa em cidades dos EUA e no estrangeiro realizadas a 19 de Fevereiro pelos Arquitectos e Engenheiros para a Verdade do 11/Setembro, uma organização de profissionais que já tem 1 000 membros.
E ainda fiquei mais admirado por a reportagem do jornal tratar a conferência de imprensa muito a sério.
Como é que três arranha-céus do World Trade Center se desintegram subitamente em poeira fina? Como é que sólidas vigas de aço em três arranha-céus cedem subitamente em consequência de incêndios de curta duração, isolados e de baixa temperatura? "Mil arquitectos e engenheiros querem saber, e apelam ao Congresso que promova uma nova investigação sobre a destruição das Torres Gémeas e do Edifício 7", noticia o Washington Times.
Labels: capitalismo selvagem, imperialismo
Friday, March 5, 2010
A secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton desembarcou no Brasil no dia 2 de março, como parte de seu giro pela América Latina. Nesses dias, ela visita cinco países, em um tour que vai do Uruguai do recém-empossado Pepe Mujica, passando pelo Chile, que ainda sente os efeitos do terremoto; e por Brasil, Costa Rica, e terminando na Guatemala.
Além da pressão para a adoção de sanções contra o Irã, a secretária trouxe na bagagem uma série de temas, que vão das bases na Colômbia ao futuro do Haiti. A visita de Clinton serve para mostrar que, apesar de o centro das atenções dos EUA estar voltado ao Oriente Médio, a América Latina não foi esquecida pelo imperialismo, que não abre mão de periódicas inspeções em sua área de influência.
Leia também o post anterior "Perguntas à Sra. Clinton", publicado no blog, clique aqui
Labels: governo Lula, imperialismo
Thursday, March 4, 2010
Perguntas à Sra. Clinton (as quais a imprensa brasileira não teve coragem de fazer)
0 comments Posted by barongan at 7:01 AMLabels: imperialismo, mídia
